segunda-feira, 17 de junho de 2019

Relato de campanha: A Saga das Runas Parte 07 (season finale)


O grupo de anões ruma para o desfecho da primeira temporada da Saga das Runas. Depois de recuperar o antigo Santuário abaixo da Cidadela e de recuperar as provisões do exército do príncipe Olinstaad, o grupo adentra a Casa de Pedra, antigo lar e laboratório de um antigo feiticeiro, que visitava a corte do príncipe, mas que há uma década, nenhuma notícia se tem dele.

Logo, o grupo adentra a construção, abrindo a grande porta dupla, de onde, minutos atrás, havia o rosto azulado de um ogro.  A porta revela uma grande antessala, repleta de ferramentas e chapas de metal. Nela, também há uma alavanca, que prontamente é puxada pelo grupo. Todo o recinto de torna mais quente e mais iluminado, como resultado. Uma porta, leva ao próximo aposento, que mostra um grande fosso que era usado como forja. Metais retorcidos ilustram a antiga função da fornalha.   


Nesse momento, o grupo é atacado por autômatos, que cercam os anões. Suas armas, são martelos movidos por pistões, que garantem um golpe poderoso. Goblet é atacado de imediato e é o primeiro a sofrer a força dos adversários. Gimli e Gurin atacam e percebem que as chapas, que constituem as armaduras deles, são bem resistentes. Gillius ataca e consegue acertar um dos constructos, mas também nota que a maioria dos golpes quase não amassa o material do qual os adversários foram construídos. Gimli ainda checa para verificar se há algo orgânico dentro desses metais e consta que não. Força máxima é encorajada!


Tummbut e Geia recuam para não travarem combate direto. De longe, o dragão-fada ataca com seus Dardos Místicos e a clériga Géia, com o Martelo Espiritual. O esforço combinado dos anões, finalmente enfraquece os constructos, e nesse momento, Goblet tem a ideia de usar sua corda e gancho para empurrar os autômatos no fosso-fornalha. A primeira tentativa não tem êxito, mas ele insiste e explica seu plano para os outros anões. Eles acatam o plano e o primeiro adversário é enganchado. Atrapalhado pela corda ao redor das pernas, Gurin e Gillius não tem muita dificuldade de empurrar os monstros mecânicos para derreter lá embaixo. Desafio superado e o grupo avança.


Numa sala muito escura, Gimli Bloodsword acende uma de suas tochas, mas percebe rapidamente que a escuridão do aposento é sobrenatural. Ele lança a tocha no centro do aposento e a luz da chama é engolida pelo breu mágico. Uma risada é ouvida e depois, novos rangidos pneumáticos. “Vocês serão derrotados aqui mesmo.” – diz o ogro com escárnio. E de repente, a escuridão mágica é cortada por luzes mágicos. O efeito, os anões conhecem, mas tal magia sempre esteve do lado deles: dardos místicos são disparados pelo ogro. Agora, reconhecido como um Ogro Mago. Além, dele mais dois autômatos aparecem.



Gillius recua imediatamente, mas infelizmente, seu movimento é interpretado pelos companheiros como debandada. Gillius segue por trás para pegar um acesso esquecido lá atrás, ao qual foi ignorado, por existir uma armadilha nas barras de metal (notada por Goblet, o jovem ladino). Gillius sabe que não pode encarar as diabruras do ogro mago de frente, e seu plano é pegar o monstro por trás, ao notar que a criatura estava de frente à uma porta de madeira. Gillius sobrepõe o artificio de morte que eram as grades descendo para cima dele, ao passar num teste de Destreza. Depois disso, cruzando um escuro corredor, sobrepõe uma armadilha flamejante, passando num Save vs. Breath Weapon e finalmente encontrando a porta ao qual o Ogro Mago está diante. Ele ataca com vigor, causando estrago com sua arma e desconcentrando as magias preparadas do vilão. Os autômatos, bem lentos, seguem Geia e Gurin do outro lado. Gimli se junta a Gillius para sobrepor o ogro mago e ainda sente o efeito das Mãos Flamejantes do arcanista. Gimli está bem ferido e Gillius recebe seu primeiro dano. Mas ambos, com vigor, ainda lutam, derrubando finalmente o monstro feiticeiro. Do outro lado, Gurin e Geia destroem os últimos seres mecânicos, jogando-os também no fosso de fogo.

Uma vez juntos, eles interrogam o Ogro Mago, cujo nome é Barax. Gillius ainda tinha uma teoria que o ogro seria o feiticeiro transformado, mas logo a teoria cai por terra, quando o monstro explica que Simon Clockwork fora levado por agentes do Granito, cerca de 10 anos atrás. Ele veio para cá, esperando encontrar novas magias para seu grimório, mas logo percebeu que o tipo de magia que Simon operava, não era o mesmo que o dele. Simon era um inventor e seus registros só continham rascunhos de estranhos aparatos. Entretanto consegui um refúgio e fazer com que os autômatos o reconhecessem como mestre. Goblet encontra nesse interim, entradas de diário, escritos por Simon, que confirmam tudo o que Barax contou. Além disso, através de um livro encontrado, Goblet descobre que O GRANITO é uma espécie de mina-prisão. Gillius diz de imediato: “Nossa demanda era descobrir o destino do feiticeiro e é o que acabamos de fazer. Não era resgatar Simon. Devemos voltar para o Conselho e pegar nossa recompensa. Todos concordam?” – os anões assentem.  

Nesse momento, surge um dilema: matar Barax ou deixá-lo viver? Geia, temendo deixar um mago solto, escolhe pela decapitação imediata do ogro mago. Gillius explica que o ogro mago está derrotado e não mais apresenta ameaça, almejando um acordo: eles continuam usando a Casa de Pedra como lar e laboratório e deixa os povos da Cordilheira em paz. Ele aceita. Geia não deseja negociar e ataca Barax com seu Martelo Espiritual. Um empurra-empurra se inicia entre os anões e Barax aproveita o caos para se tornar invisível e fugir.

Com os nervos a flor da pele, o grupo tenta pensar no próximo movimento. Nesse momento, Gimli descobre uma passagem subterrânea pelo porão, mas temerosos e feridos, os anões, desejam sair dali o mais rápido possível. Eles fazem os preparativos para marchar de volta para o Conselho. Infelizmente, cerca de 50 metros depois que saem da construção, o grupo é cercado por Sir Robilar e seus homens fiéis. Vários deles, montados. Os anões sabem que correr os 50 metros de volta para a Casa de Pedra será um desafio, ainda mais com todo o equipamento. Mas enfrentar esses legionários montados será a morte certa. Eles disparam para a entrada da Casa de Pedra. O plano é fugir pela passagem subterrânea encontrada por Gimli. A corrida atrapalhada e desastrada dura pouco: os cavaleiros rapidamente golpeiam Gurin que desaba numa ruína de sangue. Sir Robilar pega o anão quase morto e faz uma oferta:

“- Rendam-se e meus homens podem salvar o companheiro de vocês. Larguem suas armas e desafivelem suas armaduras. Não tenho planos de matar vocês. Passei até mesmo a respeita-los.”

Os anões fazem o que é pedido. Ao olharem entre eles, notam entretanto, que Goblet não está ali. O caçula passou no teste de Destreza para chegar até a porta da construção e ainda no teste de Furtividade dos Ladrões! Talvez o jovem anão, possa obter ajuda, no final das contas.

Desprovidos de todo o equipamento, os companheiros são jogados numa cela móvel para acompanhar a caravana militar de Sir Robilar.

“Preparem-se homens, levaremos nossos prisioneiros até o Granito, onde eles trabalharão nas Minas de Sal, até que suas barbas ficarem totalmente brancas!” – os anões de entreolham com horror...

Aprisionado, o grupo está em seu terceiro dia viajando entre os passos da montanha até o destino terrível que os aguarda. Em paralelo, o jovem Goblet consegue fazer seu trajeto em segurança de volta a Cidadela, invocando de imediato, uma reunião do Conselho.

“Meus amigos foram capturados! Precisamos ir atrás deles! Sir Robilar é traiu o príncipe Olinstaad e todos os anões do reino... nesse momento, estão sendo levados para o Granito.”

Todos se sobressaltam alarmados com as notícias terríveis. O príncipe é o primeiro a falar:

“O Granito você diz? O Granito estava desativo há 100 anos. Era uma prisão e mina de sal, a mais terrível de seu tempo. Poucos saíram de lá com vida. Não podemos perder tempo: o Patriarca emitirá alerta. Marcharemos o mais rápido possível.”

Os sinos subterrâneos tocam e as tropas começam a se equipar. Partirão nessa tarde.

Enquanto isso, os anões prisioneiros chegam a um barranco que ladeia a estrada por onde os homens de Robilar atravessam. Os anões se entreolham e percebem uma oportunidade. Gimli Bloodsword e Gillius contam o plano: apontam para o barranco e fazem a mímica de um golpe de ombro. Contam até três e executam o plano. O tranco é forte, quebrando a armação de madeira da carroça e jogando a cela desfiladeiro abaixo. Felizmente todos passam no teste de Constituição, chegando ilesos alguns metros abaixo. Os homens de Robilar rapidamente se põe a descer o barranco para busca-los. Os anões conseguem romper o cadeado e se esconder com êxito entre as muitas pedras no vale onde se encontram. Lá de cima, escutam as ordens frustradas de Sir Robilar.

Diante do dilema, se voltam para a Cidadela, ou chegar no Granito antes dos homens de Sir. Robilar, eles escolhem a segunda opção, seguindo os rastros de carroça que vem e vão, uma vez que já se encontram na estrada secreta entre as montanhas. Mais algumas horas, e finalmente chegam até lá. Uma porta de aço e um respiradouro estreito, marcam a entrada da prisão. Aqui, eles esperam encontrar Simon Clockwork.

O porteiro é um velho decrépito. Ele olha de cima a baixo para os anões, sujos, machucados e desprovidos de qualquer armamento. Eles pedem para entrar, dizendo que estão trabalhando para Sir Robilar. O homem resmunga, fecha a portinhola e depois de um tempo, um rangido metálico sinaliza que o portão pesado está se abrindo. Lá dentro, uma longa escadaria de pedra viva leva-os até a grande área de mineração. O som de inúmeras picaretas ecoando, já mostra que há muitos prisioneiros naquele local.

Uma vez lá embaixo, o grupo avista os prisioneiros, e vários guardas também. Os anões se espalham tentando obter o maior número de informações possíveis. Quando se encontram novamente, eles já descobriram que existe um supervisor da prisão (um tal de Lex Justicia), e que os prisioneiros que trabalham ali são os mais afortunados. Os prisioneiros mais importantes ficam no Coração do Granito, um sistema complexo construído dentro da montanha, onde uma espécie de roldana, gira as 365 celas existentes. Encontrar Simon Clockwork não será tão simples.

Nesse interim, Sir Robilar junta seus homens, desistindo da caçada pelos anões. Ele decide rumar para o Granito. “Se eles seguiram a estrada, lá será o destino final. Eles morrerão lentamente no Granito” – ele ameaça. Na cidadela, um exército marcha.  

De volta ao Granito, o grupo incita uma rebelião. Talvez, instaurando o caos, eles tenham uma chance de adentrar no nível mais vigiando da prisão. Os prisioneiros começam a empurrar e a derrubar os guardas, até que a obra-prima de Simon Clockwork é enfim, deslumbrada pelos anões: um Golem Mecânico feito para interromper rebeliões chega ao grande salão e começa a golpear os prisioneiros. Os companheiros catam algumas armas para enfrentar o titã de aço. 




Os anões golpeiam, mas a maioria desses golpes nem arranham as chapas metálicas que o protegem (a criatura tem Categoria de Armadura 0). Gimli e Gurin ficam para distrair o golem gigante, enquanto a clériga Geia vai atrás do supervisor da prisão em seu escritório. Lá, ela pede informações sobre Simon Clockwork, com arma em punho. O franzino Lex explica que ele está em uma das celas do Granito, que ela precisa de do número de registro para acessar a cela especial. Em paralelo, Gillius tenta encontrar a cela específica de Simon, de maneira aleatória, liberando no processo, vários prisioneiros perigosos, que obviamente, agradecem a nova chance de liberdade. Os sons da rebelião são um convite animador para esses homens e mulheres, prisioneiros há pelo menos uma década ali.

Gimli e Gurin são feridos, enquanto o Golem ainda luta sem maiores danos. Geia passa por eles, com o registro correto de Simon, encontrado nos documentos do supervisor. Gillius usa o número para enfim, localizar a cela correta, e eles encontram Simon, magro e assustado, ele diz que suas invenções nunca foram para machucar. Eles o obrigaram a transformar o Golem numa máquina de guerra. Eles puxam ele e o carregam. Quando passam por Gimli e Gurin, todos percebem que o titã metálico de fato, é quase indestrutível. Fugir é a opção mais sensata! Todos correm atabalhoadamente até a escadaria principal e para a surpresa de todos, o Golem não consegue subir as escadas. Eles comemoram e fogem finalmente do Granito. Infelizmente a luz do dia, surge acompanhada de Sir Robilar e sua tropa.

“Fim da linha para vocês. Não mais serão aprisionados. Acabei de decidir que serão executados aqui mesmo. Peguem eles... – nesse momento, a voz dele é cortada por uma sonora trombeta. Atrás da unidade militar do cavaleiro traidor, os Anões da Cidadela. Goblet grita para seus primos. Sir Robilar faz sinal para darem meia-volta para ficar de frente com a tropa liderada pelo próprio Olinstaad. E é ele mesmo que grita:

“Sir Robilar, você acaba de perder suas honrarias e privilégios. A morte seria muito boa para você. Será julgado e levado prisioneiro para as masmorras abaixo do Castelo Greyhawk. Ataquem pela Cidadela!”

O embate tem início, e para as regras de Combate em Massa, usei as regras de guerra do RPG do Senhor dos Anéis do sistema CODA.
Uma representação abstrata das tropas
Gillius prepara sua arma e aponta para Sir Robilar: “Sir Robilar é meu!”

Entretanto, no caos e no coração da batalha, Goblet é o primeiro a encontrar o general inimigo. Ao notá-lo distraído enfrentando dois outros anões, ele se aproxima e consegue acertar um backstabbing em Sir Robilar. Gimli e Gurin abrem caminho entre os inimigos, distribuindo golpes poderosos no perímetro da batalha. Porém, para infortúnio de Gimli, uma lança inimiga o acerta nas costas. Geia vê o amigo tombando. Ela faz o caminho entre os homens de Robilar e só depois e 3 turnos, consegue alcançar o amigo tombado. Felizmente, ele ainda respira. Ela faz uma oração a Ullaa, fechando vários ferimentos no processo. 


Príncipe Olinstaad derrota Sir Robilar com a ajuda da Comitiva das Runas 
O príncipe Olistaad atravessa com seus anões e alcança Sir Robilar no núcleo da batalha, o cavaleiro traidor, pingando sangue, devido o ferimento de Goblet. Eles travam uma última batalha, enquanto os anões usam uma tática de martelo e bigorna para destroçar as unidades inimigas. O último golpe do Príncipe acerta em cheio, Sir Robilar que tomba desacordado. Imediatamente, ele é acorrentado e colocado numa cela móvel. Os sobreviventes, por fim, se rendem.

Vitoriosos, eles desmantelam o que restou do Granito. A prisão mais cruel dos reinos, jaz desativada mais uma vez. Logo, eles marcham de volta a Cidadela, onde Sir Robilar é julgado e condenado. Os escribas preparam seus mensageiros para avisar à Cidade Livre de Greyhawk que havia um traidor entre os Cavaleiros Protetores do Grande Reino.

No final, o Conselho é reunido uma última vez, para arcar com os acordos fechados na primeira reunião com o príncipe. Com honra, ele dá um titulo de Lorde para cada anão da comitiva. Além do acordado previamente:   

Sir Gimli Bloodsword, sobreviveu aos ferimentos e recebe as terras produtivas da família de volta. O clã Bloodsword continuará firme e forte.

Geia recebe recursos para construir o templo de Ullaa no pé da montanha. Em poucos meses, se torna um dos templos de maior renome do Principado, juntamente com o grande templo de Moradin. Outros anões clérigos tentam trazer suas divindades para o templo, mas são sistematicamente rechaçados pela querida Geia: “Busquem seu próprio domínio!”, ela diz.

Sir Goblet recupera grande parte de sua memória. Descobre que seu clã era poderoso e seu pai, outrora, havia unificado várias famílias sob um mesmo estandarte. Mas alguém o traiu. Um massacre foi realizado no salão de festas e quando ele se escondeu embaixo da mesa, uma pesada taça de prata bateu em sua cabeça. O que aconteceu com o clã poderoso de Goblet? Quem foi o mandante do Massacre do Salão das Taças? Essa trama, quem sabe, poderá nortear a próxima temporada.  

Sir Gurin obteve boas terras e cabeças de gado na fronteira do Principado de Ulek. Até hoje, ele mantém vigília constante por lá.

Sir Gillius se mudou para o norte, em suas novas terras, iniciou uma vinicultura com as mudas que o dragão-fada Tummbut “guardou” da aventura anterior. Vinhos de exímia qualidade logo começaram a ser distribuídos no norte. Sir Gillius leva uma vida pacata e idílica nos vales.

O principado de Ulek se tornou próspero mais uma vez. Simon Clockwork se recuperou dos maus cuidados em seu tempo como prisioneiro e passou a residir na corte. Suas invenções atraem muitos curiosos e ele tem planos para os anões do Principado. Quem sabe resgatar o Golem e transforma-lo numa Vigia Protetor da Cidadela?

FIM DA SÉTIMA SESSÃO

Hexágonos explorados:

K4/111 – Havenhill, no Principado de Ulek
K4/113 – Vale dos Cedros

Premiação de pontos de experiência da sessão:

1500 – por terem descoberto o que aconteceu com Simon Clockwork
3500 – por terem sobrevivido à Batalha do Vale

Esse episódio marcou o final da primeira temporada da Saga das Runas. Os anões voltarão a marchar ano que vem, pois sabemos que Iuz, o Maligno ainda arquiteta seus planos para tomar o Castelo Greyhawk. 

Obrigado por terem acompanhado. Fiquem com uma das composições de Phil Rey que me inspiraram bastante ao longa dessa saga: 







segunda-feira, 3 de junho de 2019

Video resenha: Marvel Super Heroes

Continuando nossa série, hoje publico a video resenha do clássico RPG Marvel Super Heroes da TSR.  A saber, no terceiro episódio, teremos a Rules Cyclopedia.

Confira:


sábado, 18 de maio de 2019

Relato de campanha: A Saga das Runas Parte 06


Não é a primeira vez que os anões buscam pistas na Sala de Registros do Conselho.

Vitoriosos após completarem a primeira Demanda do Conselho, a comitiva de anões volta pelo caminho dos túneis, subindo até o nível conhecido. No trajeto, percebem que ainda existem muitas outras rotas subterrâneas por ali, o santuário liberado recentemente é apenas uma veia entre tantas, dentro do coração da montanha. Num dado momento, de deparam com uma patrulha anã, soldados da Cidadela. Aliviados com a sobrevivência do grupo, eles os levam até a Câmara do Conselho. Apesar de feridos, apenas Goblet precisa de ajuda para ser levado, dado seu estado catatônico. Alguma coisa em sua mente foi ajustada, alguma memória retornou, mas ele ainda está em estado de choque pela experiência de ter sido trazido dos mortos.

O Patriarca, Sir Robilar e o próprio Principe Olinstaad são convocados novamente para uma atualização dos eventos. Todos ansiosos com os relatos dos anões companheiros. Logo, eles contam sobre tudo o que foi encontrado nas ruínas do Santuário, alterando apenas uma coisa no relato: de que a fonte fora encontrada seca, sem a tal água milagrosa que as lendas diziam conter.

Sir Robilar é o mais intrigado com o relato e pede informações sobre as criaturas encontradas, se haviam armadilhas mágicas e se registros foram encontrados. O grupo afirma ter encontrado tudo isso. Ele agradece e diz que qualquer descoberta será passada por eles pela Pedra de Alcance: a pedra mágica emprestada para ele por Goblet, que por sua vez, haviam comprado um par de Zarah, a cigana.

Um servo do príncipe o serve de mais cerveja. Olinstaad toma de uma golada só e continua a Confabulação. “Infelizmente o mal não dorme. Enquanto vocês liberavam o Santuário Abaixo, uma caravana de suprimentos, que estava indo para abastecer nossas tropas concentradas foi assaltada no Passo da Cordilheira. Levaram tudo e mataram quase todos os nossos homens da logística. Eu sei que ainda há outra demanda pendente: investigar o desaparecimento do feiticeiro do Vale dos Cedros, mas peço que deem urgência para recuperar os suprimentos das tropas. Os poucos sobreviventes disseram que os responsáveis pelo ataque foi um destacamento de orcs com tatuagens de guerra e bandeira de Iuz, o Maligno. Nunca vi tropas de Iuz tão ao sul, devo dizer!”

Todos, ao redor da távola, parecem preocupados, mas concordam da urgência da missão. Partirão na manhã seguinte. O Patriarca diz que durante a noite, prestará cura mágica aos mais feridos. Antes de sair, entretanto, Geia diz que os anões estão muito preocupados com magia. Contando e confiando em esoterias arcanas, ao invés de estarem afiando seus machados e reforçando seus martelos. Apenas Sir Robilar e O Patriarca escutam esse apontamento da clériga. O Patriarca, explica que o Santuário recém liberado, será convertido imediatamente numa nova forja especial, usando as Pedras Rúnicas obtidas por eles. Sir Robilar lança um estranho olhar para a sacerdotisa, mas fica calado. Depois de beber e comer mais um pouco, os anões de separam: Goblet ainda está tonto, mas já consegue andar sozinho, ele diz que vai explorar outros setores da cidadela. Gillius se encaminha para conversar com o gnomo Bibliotecário. Gimli Bloodsword e Gurin se recolhem aos respectivos aposentos para descansar. Sabem que o confronto de amanhã exigirá bastante dos homens de armas. Tummbut, o dragão fada mascote, acompanha Gillius para falar com o Escriba.

Goblet explora uma seção completamente nova do nível do Conselho, indo para oeste do distrito. Nessa área ele procura correntes de ar entre as pedras dos corredores, até encontrar de fato, uma passagem secreta. Sem iluminação mínima, ele não pode usufruir da Infravisão dos anões, tampouco quer acender uma das tochas e chamar atenção. Ele tateia pela abertura, seguindo por um túnel de pedra viva até chegar num salão com cheiro de óleo de polimento. Ao sentir uma porta, ele escuta através dela: dois anões do outro lado conversam sobre o ataque infeliz à caravana e depois sobre trivialidades. Provavelmente, sentinelas do lugar. Tateia mais um pouco até tocar em hastes de ferro e barris, de onde vem o odor forte de óleo. Como medo de incendiar o local, ele volta para o corredor e decide acender umas de suas tochas. O aposento revelado, se mostra sendo o arsenal da guarda da cidadela. Vê armas e armaduras padrões, com as cores do príncipe. Vê os barris para polimento do equipamento, mas nada chama muita atenção do jovem anão. Que decide enfim, se recolher aos aposentos.

Gillius e Tummbut chegam até A Sala de Registros e encontram o Escriba debruçado sobre tomos antigos. Ele interrompe de bom grado, seu trabalho de tradução para atender os recém-chegados. “Meu bom gnomo, procuro informações sobre tal artefato.” – explica Gillius, retirando a caixa metálica com o objeto do tamanho de dois punhos fechados e cheio de válvulas. O Gnomo olha atentamente para o item e diz: “Ora, esse é um trabalho de Simon Clockwork, o feiticeiro do Vale dos Cedros.” Ele anda até uma estante e tira de lá um livro com capa de couro. Ele folheia e franze o cenho para Gillius. “Estranho! O livro está em branco. Juro pelo Panteão gnomo e anão que essas páginas estavam repletas de diagramas dois anos atrás...agora estão em branco!” Gillius pega o livro e na capa, comprova o nome do autor. “Posso ficar com isso?” O gnomo permite, balançando a cabeça. “Se houver alguma descoberta, me avise. Gostaria de saber como isso ocorreu...”. Tummbut ainda pega o livro para verificar se há alguma mensagem oculta, mas não há. Gillius agradece o escriba se se recolhe também.

Goblet, nessa madrugada tem sonhos relevadores. Sua experiência pós-morte lhe devolveu (depois do jogador passar num teste de Colapso) parte da memória perdida. Ele se lembra de uma reunião. Um jantar provavelmente. Ânimos ficaram exaltados e aço foi desembainhado. Um anão atacou o outro. Sangue fora derramado. Goblet (em idade de criança), se escondeu em baixo da grande mesa de carvalho. Anões de clãs diferentes começaram a se matar nessa noite. Gritos e xingamentos foram ouvidos. Uma taça pesada rolou da mesa e bateu em sua cabeça. A ultima coisa que viu, antes de desmaiar, foi o vinho escorrendo da mesa... vinho? Não era vinho... era sangue.  

Na manhã seguinte, todos fazem os preparativos e iniciam a jornada pelas montanhas. Os homens da guarda real, acompanham novamente até o limiar das terras do principado. Explicam também que se a intenção é pegar o destacamento orc de surpresa, a melhor opção seria ir por trás, seguindo o rio. Mas alertam: cruzar o rio para o outro lado, leva-os diretamente para território dos traiçoeiros “orelhas-pontudas”, que atiram suas fechas afiadas antes de fazerem perguntas. O grupo acata o plano dos soldados do príncipe e seguem o rio pelo bosque. A certa altura se despedem e percorrem sozinhos, o território entre as montanhas. Todo esse trecho marcado pelo rio, é ladeado por florestas, e a presença de elfos é sentida no ar.

Goblet, como sempre, se adianta para fazer o papel de batedor. De longe, avista a fumaça de um acampamento. Faz sinal para os companheiros aguardarem. Seguindo pela mata fechada, avista finalmente o acampamento do inimigo: oito orcs, liderados por um imenso troglodita vestido cota de malha acobreada. Atrás dos monstros, todo o carregamento roubado, dividido em caixas, barris e arcas.
 
Os suprimentos das tropas são encontrados!
Enquanto isso, os outros anões são surpreendidos por uma veloz flecha que acerta o tronco morto ao lado deles. Rapidamente, eles puxam suas armas, mas o elfo atrás, já está próximo e com outra fecha de prontidão. Ele diz algo em sua língua nativa e por sorte, Gimli Bloodsword conhece o idioma cantado.

“- Não ousem adentrar nosso território. O que fazem aqui?” – diz o elfo de cabelo platinado.

“- Bom...está vendo aquela fumaça? Há orcs além do rio. Viemos atrás deles. Não queremos nada com vocês. Nos deixe andar por essa terra e acabaremos com aqueles malditos.”

“- Vocês tem 1 hora. Depois disso, meus caçadores faram disparos para matar. Seja orc, ou anão.”

“Não precisaremos de tanto tempo. Asseguro.”

Redael Folha de Prata. Aliado ou inimigo? Só o tempo dirá...
O elfo assente, baixa o arco longo e volta para as matas. Uma habilidade que aos olhos dos anões, parece uma invisibilidade sobrenatural.

Goblet retorna e atualiza o grupo com a descoberta. Em armas em punho, eles vão até o rio. O barulho da água corrente esconde qualquer barulho que as armas e armaduras poderiam fazer. Eles se olham e preparam as armas. É hora do pau! Eles gritam, chamando os orcs do outro lado do rio. A estratégia deles, é fazer os orcs lutarem contra eles, enquanto lutam contra a correnteza. Sem pensar, os brutamontes pegam seus tacapes e avançam com fúria. Adentram na água já sendo alvejados por Gimli e Gurin, que usam arcos curtos. Uma vez próximos, esses anões largam os arcos e pegam suas armas brancas.
 
Sabiamente, os anões usam o rio como vantagem.

Goblet e Tummbut sobem numa árvore para lutar a distância. Goblet com suas adagas arremessáveis, e o dragão fada com sua magia natural. A trocação de golpes segue e num dado momento (e como resultado de uma falha crítica), um dos orcs agarra Gimli e o joga dentro d´água, que obviamente, encobre o anão.

Pancadaria raiz!
Goblet por sua vez, tenta laçar a arma do líder deles, mas tira um “1” natural. Seu gancho agarra em um galho errado. Ele desequilibra e cai, fazendo um movimento de pêndulo que o lança até o rio. Felizmente, ele cai em cima dos cadáveres de orc que começam a represar o rio. Enquanto isso, Gimli luta para não se afogar. Faz um teste de Constituição e passa, mas ainda assim não consegue se mover, devido a armadura pesada dentro da água.

Gillius derruba outro orc, mas nesse momento recebe uma lançada certeira que lhe causa o dobro de dano, deixando-o com poucos pontos de vida. Tummbut em um turno lança dardos místicos derrubando um orc que já estava ferido por Geia e no turno seguinte, lança “levitação” para ajudar Gimli a emergir. Com efeito, ele consegue. Gurin em seguida, derruba mais um orc e se junta a Gillius para derrotar o capitão deles. Com a combinação de forças dos anões guerreiros, o troglodita é morto. E finalmente eles conseguem recuperar a carga. Entretanto, por uma questão logística, eles percebem não terem meios de carregar tudo. Preferem deixar ali para pegar depois. Entretanto, os anões encontram uma carta que diz: “Entregue as cargas no local de sempre.” – Goblet, apesar de não muito genial, faz comparações das letras com uma das cartas enviadas diretamente da Cidade Livre de Greyhawk, e como se fosse um “jogo da memória”, percebe que as letras são as mesmas em ambas as cartas. Sendo que a primeira carta, ele encontrou no Acervo do Escriba e fora assinado pelo próprio Sir Robilar. Logo, uma descoberta bombástica: Sir Robilar é um traidor dentro do Conselho de Guerra! Eles debatem um tempo sobre tal revelação e as prioridades. Até ficar decidido aproveitar que estão ali e investigar o vale, onde o tal feiticeiro que visitava a corte, desapareceu. Essa sendo, a terceira e última Demanda, solicitada pelo próprio Príncipe Olinstaad.

No trajeto até o vale, o grupo deixa a floresta para trás, entrando numa espécie de vale úmido. O chão começa a se tornar enlameado e num dado momento, Goblet, percebe no horizonte, poeira levantada por marcha de tropa. Os companheiros decidem sair da trilha e se esconder atrás de grandes pedras que ladeiam o passo. Dali, observam um grande destacamento passar. Cerca de 30 orcs, atrás deles, ainda seguem mais 4 arqueiros. Os anões fazem um teste de Destreza para não fazer barulho e felizmente todos passam. Os orcs arqueiros seguem marcha. Os anões percebem de imediato, que um exército está sendo reunido em algum lugar da cordilheira. O Conselho deve ser notificado.

Por fim, adentram o ponto mais escuro e úmido do Vale dos Cedros. No final do charco, avistam a grande casa de pedra, lar e oficina do Feiticeiro Simon Clockwork. Goblet avista as pegadas e aponta: “pegadas de ogro, como disseram no Conselho”. Os anões seguem chapinhando até a fachada da construção. Da portinhola do portão duplo, avistam um sinistro rosto azulado, sorrindo. Um rosto de ogro, com uma boca maligna e cheia de dentes...
   
Enquanto isso, em algum lugar na Cordilheira, Sir Robilar junta seus homens fiéis. “Fiquem com suas armas em prontidão...podemos precisar delas mais cedo do que eu imaginava...” – ele grita para seus soldados. Depois disso, ele aperta a Pedra Mensageira dada por Goblet. – “Fico feliz que aquele anão tenha me dado esse item mágico. Está sendo bastante útil.” – ele sorri malignamente. Seu sorriso é pior que o do monstro na porta.

FIM DA SEXTA SESSÃO

Hexágonos explorados:

K4/111 – Havenhill, no Principado de Ulek
K4/112 – Passo da Cordilheira

Premiação de pontos de experiência da sessão:

1500 de XP – por terem derrotado o destacamento de orcs e ter recuperado os suprimentos das tropas da Cidadela.