terça-feira, 2 de agosto de 2016

Nostalgia: AD&D


           Se em 1994 eu havia sido totalmente fisgado pelo D&D da Grow, no ano seguinte, saia pelas mãos da Abril Jovem, a Coleção Grandes Manuais, que consistia no Livro do Jogador, o Livro do Mestre e o Livro dos Monstros, a trilogia que trazia a 2a edição revisada dos gringos. A primeira vez que botei as mãos nos Livros do Jogador e do Mestre, foi numa pequena livraria do bairro, que se sustentava vendendo livros didáticos e paradidáticos para as escolas de minha pequena cidade. Lembro até mesmo qual foi a primeira página que abri do Livro do Jogador: a enorme lista de equipamentos disponíveis para os aventureiros. Toda tarde, vindo da escola, folheava aqueles dois livros, tentando absorver o máximo de informações, aquelas páginas totalmente em cores, repletas de gravuras e tentava entender como aquele jogo se diferenciava do D&D da Grow. Eram muitos detalhes, muitas regras para o menino de 9 anos, mas havia encontrado o meu RPG preferido!

Um bom aventureiro tinha que estar preparado pra tudo!

Naquelas férias, meus pais me deram o Livro do Jogador, mas foi só em 1997, durante a Bienal do Livro, que pude obter os dois outros. Eram livros de R$ 50 reais cada um, muita grana naquela época. Voltei daquela bienal louco pelo Livro dos Monstros, do detalhamento com cunho enciclopédico de cada criatura: seus hábitos, sociedade, tesouros, cultura, etc. Até hoje, me divirto folheando aquele manual! Trancado em meu quarto, criava mapas e povoava aqueles meus reinos. Eu me empolgava mesmo! Confesso entretanto, que eu usava o Livro do Mestre apenas por seu catálogo de tesouros e itens mágicos. Ele não tinha muitas ideias e inspirações, trazia algumas ferramentas confusas para criar raças e classes, lidar com personagens muito fracos (ou muito fortes), lidar com movimentação, algumas informações rasas sobre outros planos de existência (principalmente os canonizados por Planescape).

As artes emanam Sessão da Tarde!
Podem falar mal da mecânica de Tac0, mas eu nunca tive dor de cabeça para explicar essa regra: “basta reduzir seu Tac0 da Categoria de Armadura do alvo e tentar tirar um valor igual ou superior no D20”. Pronto! A única coisa que fica confusa para os jogadores era que algumas estatísticas quanto maior melhor, outras, quanto menor, melhor. Isso tinha que decorar mesmo. São 3 fatores que tornam essa edição, minha predileta:

A arte: pinturas à óleo, lápis de cor, giz de cera, tinta guache. Técnicas datadas sim, mas que dão o tom certo do tipo de história que quero em minha mesa. Muitos desenhos são reinterpretações de desenhos consagrados das edições antigas da TSR, outras, originais. Uma equipe talentosa assinava a arte dos três livros: Elmore, Easley, DiTerlizzi, como se dizia nos anos 90, “só fera”!

A nostalgia: esse jogo marcou uma fase incrível da minha vida pois é a transição da minha maturidade como adolescente e como jogador. Passei muito tempo estudando aqueles manuais, impossível não se apegar. Além disso, fiz grandes amigos jogando Ad&d, uma galera que mantenho contato até hoje.

Os cenários oficiais: se os dois itens acima são gostos pessoais, é inegável a importância dos cenários que nasceram e/ou amadureceram nessa época do Ad&d. Mystara fora finalmente compilado, Forgotten Realms fora revisado, SpellJammer, Dark Sun, Planescape (meu predileto entre os cenários oficiais), Dragonlance, Birthright, Redsteel, Ravenloft. Uau!


       Por fim, é inegável que o Ad&d fez história. No Brasil, a Abril fez um trabalho com muitos erros  de tradução, lembro que algumas cópias vinham com erratas inteiras para serem coladas nos livros! Em 1999 a Devir pegou os direitos, relançou o Livro do Jogador com as erratas aplicadas e lançou até o Livro do Guerreiro, mas já era tarde. A 3a edição do jogo já vinha no horizonte. Mas pelo menos, tivemos a chance de vislumbrar os tempos de glória desse jogo ao qual tenho enorme carinho. É meu RPG favorito, mas não indico a ninguém (hahaha).


 Bons jogos a todos.   

11 comentários:

  1. "É meu RPG favorito, mas não indico a ninguém (hahaha)."

    Entendo muito bem esse sentimento, eheheh

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    1. kkkkk, só tendo vivido na época dele mesmo pra entender não é?. Obrigado por ler e comentar Rafael.

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  2. Eu não vejo problemas em indicar. É o melhor mesmo!rs

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    1. Eu sei, mas confesso que dá uma dor de cabeça explicar pra uma geração mais nova, acostumado com jogos reformulados e tal. Mas de todo o meu círculo de amigos, é o favaritos deles também. Grato por ler e comentar aqui, Diogo. Abraço.

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  3. É o meu favorito, tenho muitos livros de AD&D, recomendo ainda a muita gente que está começando no RPG e quer entender o que é e como funciona, a antiga equipe da TSR sabia realmente como explicar um jogo.

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    1. Valeu por comentar Adeyvison. Às vezes, durante umas viagens, levo o First Quest para ensinar as crianças nas colônias de férias e consigo fazer o jogo funcionar de fato. Sempre faz sucesso. Abração.

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    2. O AD&D é muito mais convidativo ao aspecto de interpretação que as versões posteriores.

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  4. Uma sugestão, faça mais posts sobre os RPGs da TSR.

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    1. Pode deixar, tenho muitos suplementos ainda pra resenhar. O blog está apenas começando. Obrigado pela força.

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    1. Hoje vejo essas pinturas digitais e 3D e tenho dor de cabeça...kkkk. Sou fruto dos anos 80 mesmo. Abraço e obrigado por comentar.

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