sábado, 22 de outubro de 2016

O forte apelo da fantasia medieval



Uma das artes mais lindas da TSR!

Meu gênero favorito de jogo é a fantasia medieval heróica. Sempre reflito sobre os motivos dessa minha fascinação e por mais que eu explore cenários com naves espaciais e armas a laser, mundos de horrores cósmicos, cenários de extrapolação tecnológica ou super-heróis voando pela cidade, sempre volto para esse lugar ao qual me sinto mais à vontade. Ora, quais são os pontos que consciente ou inconscientemente pesam em minha mente?

Foi o meu primeiro contato com o RPG: não sei se pesa em gostar tanto do gênero simplesmente por ter iniciado com o D&D (caixa da Grow). Até porque, meses depois, tive contato com outros jogos, como Shadowrun e Lobisomem: O Apocalipse. Mas eu sou um cara bastante nostálgico e acredito sim que me afeta em um nível inconsciente. Definitivamente!

A arte evocativa: a imagem que ilustra esse post se chama The Flying Citadel e foi desenhada por Keith Parkison, um dos integrantes do “time de ouro” da TSR. Essa ilustração teve muito impacto na minha infância. Eu a vi num anúncio de SpellFire da Abril Jovem em um gibi do Superman e explodiu minha cabeça. Nada catapulta minha imaginação como uma arte desse gênero. Lembro que evoquei perguntas como: “Quem comanda aquela cidade voadora?”, “Aqueles bravos homens estão fugindo da cidadela?”, “Será que foram até lá resgatar um nobre ou uma princesa?” "Talvez recuperaram um cetro mágico..." e por último: ”uau! A cidadela é protegida por dragões ou os dragões estão ajudando os aventureiros?”. Esse tipo de arrebatamento que me causa, é impagável.

Síndrome de Robert E. Howard: lendo os Apêndices de Conan: o Cimério, percebi que tenho o mesmo fascínio de Robert por essa “era perdida”. É um cenário que emula o ser humano em seu estado natural: o de um sobrevivente e lutador. A civilização nos deixa acomodados e preguiçosos. O gênero de fantasia medieval nos convoca naturalmente para lutar por justiça, pela glória, pela honra, por fama, por tesouros esquecidos, por jornadas de auto-conhecimento e desafios. Ora, o gênero é capaz de transformar a simples busca por água, em algo grandioso! (alguém mencionou Dark Sun?).

O limiar entre o bem e o mal: claro que você pode trabalhar tons de cinza em sua mesa, mas é muito fácil traçar o maniqueísmo inerente do gênero. Principalmente para iniciantes no hobby: o mal é escuro, o bem é claro. O mal é feio, o bem é bonito. Isso é um clichê que funciona por esse motivo. Traçar esse limiar em jogos como Call of Cthulhu (onde a insanidade é uma certeza), Vampiro ou Trevas é intencionalmente, mais complicado.

Os quatro itens acima são reflexões pessoais, pode ser que você se sinta mais à vontade narrando e/ou jogando horror ou ficção científica por ter uma bagagem maior nesses gêneros. Fique à vontade e comparilhe. Bons jogos a todos!   

2 comentários:

  1. olá, ranieri!

    De fato, a fantasia medieval acho que também tem, para mim, esse apelo a algo mais primitivo tanto em nossa história quanto dentro de nós.

    Mas acho que outro fator colabora: por ser o território mais confortável para mim e muitos no meio do RPG, ele permite algumas coisas interessantes. Como foi mais trabalhado e ampliado, é um gênero que hoje possui mais "tropes", e quando você conhece bem o gênero, as regras e os modelos usuais, pode começar a distorcer isso, experimentar. Geralmente (mas nem sempre), quando vou jogar algo diferente o jogo acaba ficando mais no esperado até pela necessidade de estabelecer um solo comum entre todos os jogadores, já que nem todos podem ter a mesma bagagem com o novo gênero.

    Isso pode mudar, claro, um exemplo é Star Wars. O universo da série foi tão expandido pelos fãs que hoje é possível uma série de aventuras muito diferentes naquele universo.

    abraço

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    1. Muito bem apontado Pedro. É inegável a quantidade de material multimídia que existe para ser trabalhado e retrabalhado por Mestre e jogadores dentro da fantasia medieval. Muito obrigado por ler e enriquecer o post. Abraço.

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