segunda-feira, 11 de março de 2019

Nostalgia: Defensores de Tóquio




Houve uma época, em que nós RPGistas, tínhamos a Dragão Brasil como a principal e (por muitas vezes) única fonte de informação e conteúdo para nosso hobby. Todo mês já deixava avisado na banca mais próxima de casa, para reservar minha edição que mais tarde, meu pai iria buscar. Qual a minha surpresa em outubro de 1995, que me deparo com essa Dragão Brasil Especial Número 1, que em suas 30 páginas (mais uma página de ficha de personagem), trazia um RPG completo e original, em tom satírico, dos animes e tokusatsus mais populares do momento?

Defensores de Tóquio foi o protótipo e zona de testes do que viria a ser anos depois, o sistema 3D&T e desde o início fez enorme sucesso, vendendo 10 mil cópias e esgotando, para no ano seguinte, sair uma versão revisada e mais organizada chamada de Advanced Defensores de Tóquio, piada claro, referenciando o AD&D.


Marcelo Cassaro (autor e artista do jogo) conta no AD&T, que o jogo surgiu numa noite de insônia, durante um bloqueio criativo na escrita do Lua dos Dragões e que o jogo deveria emular a forma despretensiosa que aqueles seriados japoneses eram feitos. Deveria ser dinâmico e divertido. E como sabemos, foram esses fatores que imortalizaram o jogo para milhares de nós e que serviu como porta de entrada para muitos também. De maneira inegável, esse jogo é um marco para o RPG nacional. 
 
O AD&T vinha com exemplos de personagens
prontos para cada conceito apresentado.
E como nos divertíamos com as piadas daquele livro-revista! Você podia montar uma aventura de super sentai com seus amigos, customizar seu herói para ser um ninja com espada laser, que podia usar “sumiço salvador” como último recurso, e como desvantagem ter um “grito ridículo” ou uma “geringonça de transformação”, por exemplo. Ou um metal hero que fomentava comprar as quinquilharias dele com marketing agressivo! Cassaro ainda conta da surpresa dele ao saber que a galera não estava simplesmente jogando o Defensores de Tóquio, mas indo além: tocando campanhas inteiras com a revista! Ou mesmo jogando aventuras "sérias" com o material. Adaptando Cavaleiros do Zodíaco, entre outros.



A criação de personagens lembrava um pouco o GURPS: começava com 150 pontos e gastava com Atributos e Vantagens. Para compensar o que passasse, você podia pegar algumas Desvantagens. Para ter Força 3 por exemplo, gastava-se 30 pontos. Mas as semelhanças terminam aí. Em alguns momentos do jogo, ele brinca: “se quiser algo mais detalhado ou realista, largue essa porcaria e vá jogar GURPS!”. Tempos mais simples, sabe?  

A terceira edição do jogo surge em 1998 quando a Dragão Brasil consegue os direitos dos selos como Megaman, Street Fighter, Darkstalkers, Final Fight e Mortal Kombat e lança revistas com o sistema revisado para cada uma dessas franquias. Dessa vez, a fim de simplificar, a escala de pontuação não é tratada como dezenas e sim unidades. Logo, um custo que era 30, passa a ser tratado como 3 simplesmente. Um custo 50, tratado como 5, e assim por diante. Outra vez, sucesso de vendas. Vi muita gente jogando esse material nessa época também. Eu mesmo fiz jogos de Street Fighter e Mortal Kombat que são lembradas com carinho até hoje por alguns amigos meus. Como processo natural e enxergando demanda, o jogo é repensado e reformatado no ano 2000, como o famoso 3D&T Manual Vermelho (resenhado aqui no blog). O resto é história!



Em 2001 ainda teve uma retomada do jogo para as franquias japonesas e o tom satírico novamente, mas acredito que já não tinha tanto apelo para a garotada da época. E muitos já estavam firmes e fortes com o Manual Vermelho, soltando grande quantidade de adaptações na Internet. Lembro nessa época fiz uma campanha de Final Fantasy VII, que fez muito sucesso no meu grupo.

Por essa lembranças e experiências que tive com o Defensores de Tóquio, esse sistema sempre estará no meu Top 5. “Se eu jogaria hoje em dia? Claro!”

4 comentários:

  1. não duvido nada que 3d&t alpha está entre os 3 rpg mais jogados do Brasil!

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  2. Ótimo lembrar dos primórdios do 3D&T. O Manual Vermelho é saudoso, detestei o Manual Revisado e Ampliado, mas até hoje o Manual Turbo é a melhor versão do jogo para mim!

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