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terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

True Detective – 3a temporada (EPI 06)



O texto abaixo contém spoilers do episódio.

“Hunters in the dark” é o nome do sexto episódio, que inicia com o detetive Hays e sua esposa na cama. Ele conta que essa é foi a primeira vez que atirou no oficio de policial (para matar Woodard). Esse é um episódio, quase que para recobrar o fôlego, mas não se engane: a atmosfera tensa, persiste. Quase é possível ver algumas “barrigas” na trama, como explicar que o filho de Hays está tendo um caso com a diretora do documentário, mas a série ainda pode nos enganar e conectar grande parte disso em seu desfecho.

Toda a sequencia posterior é sobre Tom e as alegações feitas por Julie ao telefone, pois agora ele está como suspeito. Tom está visivelmente abalado e perturbado por essa suspeita ser levada em conta. Ele está destroçado pelos eventos e acreditei nele desde o inicio. Não na inocência da mãe (que acredito até mesmo ter escrito o bilhete anônimo para acalmar Tom), mas na dele, sim.




Além disso, vemos os promotores doidos para encerrar o caso nos anos 80. “Temos tudo o que precisamos para isso. Foi o índio, encontramos a mochila de Will e a blusa da menina no quintal dele.” – eles dizem. Hays não comprar nada disso, claro. Desde o episódio anterior, ele até se assusta como eles querem fechar o caso rapidamente. Woodard é o bote expiatório perfeito para eles e Hays sabe disso. Ele precisa de mais informações e o tempo está passando...

Enquanto isso, nos anos 90, Amelia, esposa de Hays diz que com eles reabriram o caso, o editor dela encomendou uma sequência para o best-seller criminal dela. Claro que Wayne fica transtornado novamente, mas essa cena ilustra também que a vida de um escritor, não é muito diferente da vida de um detetive.

A cena seguinte nos fornece respostas sobre Harris James, ao qual fora citado no episódio anterior. Sabemos que foi ele quem estava no dia em que as pistas (falsas) foram encontradas na casa de Woodard e foi ele quem oficialmente “identificou” essas peças. Logo, fica a suspeita de que ele foi pago (muito bem pago, diga-se) para plantar essas evidências no local do massacre. Esse episódio mostra que ele passou a ter um cargo administrativo alto na Hoyt Foods, como alguém pagando por favores prestados. O homem está bem de vida, mas sabemos que um tempo depois, alguém dá um sumiço nele, claramente, se livrando de uma ponta solta.



Logo depois disso, temos Amelia fazendo sua investigação num convento que acolhe moças em necessidade. Julie ficou lá um tempo, mas suas colegas de quarto contam que ela já estava bem dissociada, pedindo para chama-la de Mary Julie (ou Mary July) e falando algo sobre ser uma princesa de um quarto/castelo rosa.



Nossa dupla de detetives agora, recebe uma ligação do tio de Julie, querendo se encontrar num local público (numa lanchonete) para fornecer novas informações, em troca de dinheiro. Claro, que eles não aceitam e pressionam ele. Duas informações importantes eles conseguem espremer: Julie pode ter sido fruto incestuoso e a segunda coisa: “Tudo isso está relacionado às crianças. “



Sobre o innuendo homossexual: aparentemente não é mais uma mera sugestão, ele de fato existe. No carro, os detetives conversam sobre as peças que obtiveram até agora: a tal boate gay em Devil´s Den, mencionada pelo antigo chefe de Tom, o panfleto sobre ajuda a homossexuais, e a piada que o tio de Julie faz para Tom quando os dois se encontram na parada de viagem. Desse embate, Tom descarrega toda sua fúria no tio dos filhos, mas Dan O´Brien diz nem sabia da existência do tal peephole, mas diz ter um nome importante para o caso. Se é de fato revelado, não sabemos por enquanto. Obviamente, o homem ao qual Julie acredita/considera seu verdadeiro pai.



Agora, temos Hays na timeline mais atual, contando sua descoberta sobre o peephole para Roland West: na verdade ele não servia para espionar e sim para passar os bilhetes, encontrados por eles durante a primeira investigação do crime. Nessa mesma cena, Hays acha que a diretora do documentário faz muitas perguntas sobre Harris James. Será que o policial desaparecido é parente da cineasta? Por que tanto interesse nessa peça do quebra-cabeças? E finalmente sabemos do que se trata a tal lista de nomes e endereço que Wayne pediu para o filho, episódios atrás: uma relação de funcionários da Hoyt Foods. Obviamente são os próximos passos da investigação de 2015. O desfecho dela, é de rachar o coração, com Wayne voltando do banheiro totalmente esquecido: sem saber o porquê Roland de estar ali. Ele nem sabia que seu parceiro estava ali, na verdade! E é nesse estado que a paranoia de Hays sempre volta à tona. Seja ela justificada ou não...



Cortamos para Amelia Hays, na coletiva do seu livro, onde um homem negro e cego de um olho reclama da falta de responsabilidade dela, publicando aquela obra, de um caso, não resolvido, embasado de evidências incompletas. Detalhe que com quase toda certeza, esse é o homem que os detetives estavam procurando. Seguindo a pista da vendedora de bonecas. Essa é a exata descrição física do homem que comprara o lote de bonecas de palha. Fica nítido que Amelia sempre está mais próxima das respostas que os próprios detetives. Sempre.



A cena final é bizarra e devastadora, aquele tipo de coisa que drena seus últimos pontos de sanidade: Tom Purcell alcança a verdade. Enquanto ele é monitorado por câmeras, ele adentra o tal castelo. Um castelo que deveria ser impenetrável está com todas as portas abertas (literalmente) para ele. Obviamente, QUEREM que ele se depare com a verdade. Até finalmente ele acender a luz do temido quarto rosa. E é perturbador não saber exatamente COMO ele encontrou sua filha Julie: é deixado de propósito para a sua mente completar o cenário dantesco. A mente humana é doentia e maligna o suficiente para fazer esse trabalho com maestria, infelizmente. Morta, seria o caso menos traumático nessa realidade. O que ele viu, esgotou suas últimas forças. Esses últimos segundos do episódio, praticamente comprova a teoria da rede de pedofilia gerenciada pela Hoyt Food, apresentada nos primeiros episódios dessa temporada. Gente de cima, maligna e intocada pela justiça humana. O episódio fecha com Harris James surgindo por trás de Tom no quarto rosa.




Episódio incrível e tenso: que trabalha com o desconhecido, numa espécie de limbo que caminhamos sem saber para onde estamos indo. Como o nome do episódio diz, nós como espectadores, também estamos caçando no escuro.

Abraço a todos e até semana que vem.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

True Detective – 3a temporada (EPI 04)




O texto abaixo contém spoilers do episódio.

O quarto episódio, chamado “The Hour and the Day”, faz referência à Mateus 25:13: Não sabemos o dia e nem a hora de nossa morte. Um mistério perturbador que nos assombra diariamente. E esse episódio inicia dentro de tal contexto: os dois detetives voltando à igreja para mais uma bateria de perguntas e abrindo uma brecha para que os fieis possam compartilhar informações, caso tenham alguma. Roland cisma com o líder da congregação. Ele não confia nem um pouco no padre e deixa bem claro para seu parceiro. Ainda chama a atenção que o menino Will é a única criança com os olhos fechados nas fotografias da primeira comunhão. Apesar da pouca ajudar, eles obtêm o nome da senhora que confecciona as tais bonecas de palha: Patty Faber é seu nome. No caminho até lá, Hays conta sobre um amigo que morreu na guerra. Conta a história com um olhar perdido, mostrando o quando ele é assombrando por essas mortes (literalmente como veremos no final).  



A senhora Patty Faber traz à tona duas informações: o racismo mal velado no discurso e a aparência do homem que comprou um lote de 10 bonecas de uma única vez. Ele era negro e tinha um olho cego. “Ele era como você!” – diz ela, o que incomoda bastante o nosso protagonista. Wayne é constantemente solicitado a fazer o mesmo trabalho que seus colegas brancos. Isso não apenas aumenta seu estresse no trabalho, mas também sustenta esse cenário de tensão racial. Se Patty enxergasse além do racismo, talvez eles não teriam incomodado o Velho Sam. Assim que chegam a casa desse senhor negro, os detetives já percebem a movimentação no bairro. “Se fossem crianças negras, elas não estariam nos jornais!” – ele exclama. A dupla falha nessa abordagem, pressionando o Velho Sam e recebendo desaprovação dos outros moradores. Desse encontro Rolando sai como seu para-brisa: estilhaçado.




Já na linha temporal de 2015, vemos Wayne Hays e seu filho interagindo. Hays deixa o orgulho de lado, ao pedir ajudar ao seu filho em duas coisas: localizar algumas pessoas envolvidas no caso no passado e o principal: descobrir se o seu parceiro Roland ainda está vivo (“preciso das memórias dele” – ele explica). Seu filho não gosta da ideia de reviver aquele caso, mas decide ajudar o pai.



Na linha temporal de 1990, quando a investigação é reaberta, temos uma nova informação sobre Roland: ele está manco. Ainda não sabemos que incidente foi esse. O que pode justificar o cargo administrativo para o qual ele foi remanejado nos anos 80 e seu desfecho que sabemos ter sido infeliz e insuficiente.
 
Roland mancando até a porta
Esse episódio temos ainda duas cenas bem grande atuação e química entre Wayne Hays e sua esposa. São cenas tensas, mas complexas, demonstrando o amor, confiança e carinho que houve entre o casal, provavelmente até a morte dela. A personagem é forte: ela não quer falar do clima e de outras amenidades, quer falar sobre o caso. Sua participação na trama não é passiva em nenhum momento, atuando quase como uma terceira detetive, mesmo que seja ambígua em seus sentimentos em alguns momentos. Essa cena tensa com a mãe de Will e Julie, ilustra bem o que estou falando:



Enquanto isso, vemos Rolando montando a força tarefa nos anos 90. O quadro ao lado dele, mostram as informações pertinentes para a reabertura do caso. Percebam que Hays só foi descobrir que o tio das crianças foi encontrado (sua ossada) anos depois. Quem lhe revela isso é a cineasta que está fazendo o documentário sobre o crime. Hays, já idoso, pede que ela dê alguma informação que ele não saiba, até mesmo pra poder ajuda-la. Outras informações, ela se nega a passar, entretanto.



No presente, vemos os fantasmas de Hays surgindo ao seu redor: mostrando que sua alma está repleta de culpa. Mas essas mortes na guerra foram culpa dele? Se sim, foram causadas de forma direta ou indireta? A conversa que ele tem com o padre sobre pecado, na outra cena, é uma peça fundamental para resolver esse mistério ao meu ver. Mas ainda fica o mistério: Hays está sendo seguido e vigiado como ele diz, ou é fruto de seu transtorno pós-traumático?



Cortamos para os anos 90, quando Hays analisa várias fitas da câmera de segurança de um estabelecimento. Seus ossos congelam ao avista uma menina, provavelmente Julie, já crescida.



Na linha temporal dos anos 80, o Trash Man é perseguido pelos rednecks que ainda acreditam que o descendente de índio ainda está mexendo com as crianças da cidade. O Trash Man corre para dentro de casa, acionando inúmeras armadilhas (tanto no quintal quando dentro de casa). Armado e em prontidão, os homens ameaçam entrar. Nesse momento, nossa dupla de detetives chega ao local (depois de receber uma ligação avisando do que estava ocorrendo). É o tempo apenas deles testemunharem a caixa de metralha ser acionada.






Apesar de longo, foi um episódio fluido, repleto de informações e boas atuações. Cada cena é frutífera e estamos chegando na metade da série; logo, é hora de respostas começarem a surgir. Abraço a todos e fiquem à vontade para colocar suas teorias aqui. Nos vemos semana que vem.