sexta-feira, 15 de julho de 2022

Resenha: Tantras

A cena da capa, bizarramente, não acontece no livro...

    No ÚLTIMO POST, resenhamos o primeiro volume, conferiu? Seguimos hoje com a resenha do segundo livro da famosa Trilogia dos Avatares, livros que traziam eventos que abalariam Toril para sempre, e que serviram para mudar e estabelecer o novo meta-plot e até mesmo justificar a mudança de algumas regras dos livros básicos (veremos logo mais sobre isso), pois essa série teve muitas camadas de importância: além do sucesso editorial, ela também demarcava a transição entre o AD&D 1st edition e o AD&D 2ª edição. Ambos já resenhados aqui no blog.

Mas como o primeiro livro acaba? Com uma batalha épica de magias, entre Elminster, Bane e a maga Midnight. No clímax da mesma, uma brecha é aberta, de onde surge a própria Mystra, materializada dessa vez, como magia bruta, acaba com o ataque de Bane. A saber, lá no meio do livro, ela havia sido destroçada por Helm, ao tentar adentrar a morada dos deuses SEM as Tábuas do Destino. Logo, das cinzas e destroços dessa batalha, o povo de Shadowdale, que deu a vida para proteger sua comunidade do exército zhentarim, encontra apenas Adon e Midnight, sem nem o corpo do mago mais famoso dos Reinos. Eles olham entre si e assumem que Elminster foi morto pela dupla. Simples assim...

Esse segundo volume, inicia-se justamente com os preparos para os julgamentos dos dois personagens. O sábio e adorado Elminster, já estava com residência estabilizada (sua famosa torre no Vale das Sombras), e a sua morte deixou todos sedentos de sangue, querendo justiça a qualquer preço. Entretanto, toda essa sequência inicial de eventos, é um tanto inverossímil na minha opinião, por três importantes fatores:

1 – não é a primeira vez (nem a última), que Elminster desaparece ou aparentemente morre. Todos sabem da escala de poder do velho mago, inclusive, suas viagens por toda Faerun, quiçá pelos Planos!

2 – todos sabem da instabilidade atual da Trama Mágica, onde os usuários de magia, estão passando um perrengue com magias saindo do controle. Logo, como os moradores da dita “pacífica e idílica” terra dos vales não poderiam pensar um pouco, antes desejar friamente que nossos heróis fossem decapitados logo pela manhã?

3 – sob juramento, e perante a todos no tribunal, Lhaeo, ajudante pessoal de Elminster conta sobre sua suspeita que o mago não esteja morto, reforçando os dois tópicos supra citados para todos os presentes, e ainda explicando que se Elminster pediu que ficasse sozinho com eles, é porque confiava neles. Mas mesmo assim ele é ignorado. O “povo idílico” dos vales quer mesmo, ver sangue!

Bom, desse ponto, temos Cyric que estabelece a fuga dos seus aliados. Mas assassinando os guardas no processo, através de muita furtividade, envenenamento e ataque pelas costas, do bom e velhos AD&D. Ele guia seus aliados para além da Terra dos Vales, através do Rio Ashaba, contando uma fraca história de que Kelemvor havia traído eles. Aqui, outra parte que achei inverossímil, pois acredito que Midnight nunca teria deixado Kel para trás, a quem ela desenvolveu um vínculo amoroso ao longo do primeiro livro.

Kelemvor fica para trás, bastante irritado, achando que fora abandonado pelos amigos e assim, o representante do Vale das Sombras, o incube de liderar uma trupe de caçadores para trazer os fugitivos de volta. Novamente, esses caçadores deveriam ser homens bons, que buscam justiça, mas olhando os diálogos, eles só falam de vingança e (pasmem!) a possibilidade de torturar os fugitivos. Bastante idílico e bucólico, certo?

A jornada de Cyric é bastante interessante, pois ele que lutou por muito tempo contra a sua natureza cruel e contra os traumas dissociativos impostos por seu mentor e outros agentes da Guilda dos Ladinos, lança fora agora, o pouco de empatia e humanidade que ainda tinha. Ele aceita que se cansou da vida de sofrimentos, dor e miséria e que almeja algo maior, e matará cada um que se tornar um obstáculo para tal. Aparentemente, ele liga os pontos e percebe que se os avatares caíram aqui em corpos humanos e querem voltar, ele poderia fazer algo parecido, certo? Basta ele ter os Tábuas do Destino e encontrar uma das Escadarias Celestiais (uma delas, ele já até encontrou no primeiro livro, onde Helm guardava o acesso). Muitos acham muita brusca essa mudança de “alinhamento do personagem”. Sinceramente, não achei. Tem toda uma série de eventos, alguns até extremos, onde Cyric deve matar para não morrer, deve enganar para não morrer, trair para não morrer e tal. O personagem vai notando que ele é bom naquilo de fato, e que Marek, seu antigo mentor, não estava tão enganado assim... Já tive uma mesa onde o jogador no meio da campanha mudou de alinhamento devido a uma série de acontecimentos e achei bastante interessante.

Ao longo do livro, os personagens enfrentam desafios pontuais e se deparam com personagens coadjuvantes interessantes. A empatia perdida por Cyric, é resgatada por Adon, que perdera sua fé. A coisa piora quando encontra o templo de Torm repleto de fundamentalistas e clérigos corruptos. Mais ao se deparar com o próprio Torm, Adon vê que ainda há esperança e que nem toda fé é corrupta. Um passo importante para o personagem. No mais, nem o próprio Torm concorda com os tormitas!

O tom de uma cidade sitiada e em tempos de guerra é muito bem estabelecido, agradando a quem gosta de tramas urbanas. Kelemvor por fim é capturado e interrogado por Bane, que oferece de retirar a maldição familiar do guerreiro em troca dele ajudar a prender Midnight e Adon. Num primeiro momento até achei que Bane queria pegar o poder bestial para si, mas nada disso, ele é inocente mesmo, ajuda Kelemvor e o solta, que simplesmente não cumpre sua parte do acordo. Se ainda fosse enganado por Cyric (como também acontece nesse livro!), até compraria, mas o cabeça-quente do Kelemvor? Não mesmo...

Por fim, o grupo reencontra um Elminster bastante pimpão que, com a cara mais lavada do mundo, diz que a magia de Mystra fora tão poderosa que o lançou em outro plano, e que agora, o grupo deve ajudá-lo em outra missão. Pelo menos, os personagens jogam isso na cara do velho! kkkkk
O final do livro consegue ser mais épico que o primeiro, juro! Envolve a batalha kaju-style entre dois avatares (Bane e Torm) que absorvem o poder de seus seguidores mais fieis e vão aumentando de tamanho, até atingirem uma escala godzilla mesmo! Em paralelo, nossos heróis (agora ajudados por Elminster), devem bater um sino mágico que criará um campo de força para proteger Tantras. É um deus-ex-machina? Sim. Mas pelo menos, são os protagonistas que resolvem a parada toda.

ELBOW ROCKET, now!


Conclusão

Eu gostei bastante desse livro. Bane ainda é um vilão muito caricato, mas não me incomoda tendo crescido com os filmes de fantasia da nossa infância. A hora em que ele tem a “brilhante ideia” de realizar o ritual roubando todas as almas dos assassinos de Faerun é bem bizarra e ela está ali pelo simples motivo de criar uma justificativa canônica de não haver mais a classe Assassino no AD&D 2ª edição. É uma medida que quase soa forçada, mas ainda assim é válida por ser inovadora naquela época: um acontecimento grandioso nos romances, que mudaria as regras da nova edição. Mas é bizarro ver a cena onde qualquer pessoa com a “Classe” de Assassino tem sua alma drenada num instante, de inúmeros pontos do continente. Tipo, Cyric mata muito mais, mas a Classe de Personagem dele é Ladrão, e não Assassino, então não conta. Soa exatamente assim. Mas enfim: agora estou bem curioso para adentrar ao terceiro e último livro da trilogia original dos Avatares. E repito: quem jogou Forgotten Realms na 3ª edição, já sabe o destino de Mystra, Kelemvor e Cyric. Mas quero ver como foi o processo, obviamente.

Curiosidade: depois da morte do avatar de Torm na região, Tantras fica envolta por uma imensa área de magia morta. Muitos que fogem dos Magos Vermelhos ou outros arcanos, utilizar essa cidade como refúgio óbvio. Personagens magos podem ficar bem frustrados tendo que passar uma temporada aqui. No mais, é uma pano de fundo bem interessante para sua campanha. 

Abraço a todos, e boa leitura! 

domingo, 1 de maio de 2022

Resenha: Shadowdale

 

Capa de Jeff Easley é sempre sucesso.

Desde os anos 90, quando tive meu primeiro contato com Forgotten Realms, que foram lançados por aqui em dois conjuntos em bancas de jornal, eu quis ler a tão falada Trilogia do Avatar ou Guerra dos Avatares, como chamavam alguns. Mas sabe como é, os anos passam muito rápido, e quando você vê, tem pilhas de coisas lacradas na prateleira, livros nunca lidos, RPGs nunca jogados. Pois bem, ano passado finalmente adquiri a trilogia (que hoje em dia, tem mais dois livros complementares) e li o primeiro romance, chamado Shadowdale.

Shadowdale foi lançado em 1989, juntamente com o AD&D 2ª edição, que havia sido repaginado e reformulado para abraçar mais uma nova geração de jogadores. Uma série de mudanças foram feitas no CORE do jogo, logo os romances deveriam acompanhar essas mudanças. Saíram os psiônicos, os assassinos, meio-orcs, e demônios e diabos foram transformados em baatezu e tanar´ri para sua mãe não queimar seus livros de RPG...Enfim, sob o pseudônimo de Richard Awlinson, o autor Scott Ciencin e no terceiro livro, Troy Denning (sim dois autores sob a alcunha de um único pseudôninmo) , receberam a missão de apresentar o novo AD&D em forma de romance e também, as mudanças em Forgotten Realms, cenário que estava ganhando muita força na época, e que como sabemos, perdurou de fato. Bom, hoje eu terminei o primeiro livro e segue minha resenha abaixo, repleta de SPOILERS:

A premissa da saga

O livro é o pontapé inicial do que viria a ser conhecido como o Tempo das Perturbações (Time of Troubles no original), no ano de 1358 pela contagem dos Vales(CLIQUE AQUI para ver os principais acontecimentos desse ano, caso queria montar sua campanha nesse período). A trama tem início quando Ao, o deus todo poderoso de Forgotten Realms, pune todo o panteão (exceto Helm) pelas ações de dois de seus deuses. Ele exila as divindades para o plano material, onde quase inteiramente desprovidos de seus poderes divinos, são forçados a habitar corpos mortais como castigo. Caso esteja se perguntando, a tal ação é o Roubo das duas Tábuas do Destino por parte de Bane e Myrkul, artefatos de grande poder onde estão talhados os portfolios de cada deus, além delas manterem o equilíbrio perfeito entre Ordem e Caos. Erroneamente, eles acreditam que essas sãos as fontes de poder de Ao. Ledo engano. A Helm, Ao o incube de proteger as portas das Escadarias Celestiais, acessos divinos por onde os avatares poderão ascender eventualmente, se conseguirem recuperar as famigeradas Tábuas do Destino. Naturalmente, todos esses eventos engatilham diversos fenômenos mágicos e caóticos por Toril: chuvas estranhas, cristalizações de montanhas, templos explodindo, magias divinas que só funcionam se o clérigo estiver no mínimo à 1 quilometro de seu deus e à introdução da Magia Selvagem, ilustrando mecanicamente, a instabilidade da Trama Mágica que envolve o mundo do jogo.

Os Personagens


Midnight (humana, maga)
– tendo o nome real revelado no meio do livro, Midnight inicia a história fugindo de seu antigo grupo de aventureiros, depois de roubar papiros contendo informações importantes. Na fuga, ela é auxiliada pelo própria Mystra. Em débito, ela oferece toda a ajuda para a fé de Mystra, no que a deusa precisasse. Ao longo da história ela torna-se uma peça importante para os planos de Mystra, recebendo cada vez mais poder da deusa da magia para completar sua missão e impedir a vitória de Bane.    


Kelemvor (humano, guerreiro) – um dos personagens mais complexos, Kelemvor, parece até personagem de Raveloft, pois vem de uma linhagem amaldiçoada de nobres. Um antepassado seu, recusou-se a ajudar uma antiga feiticeira e foi amaldiçoado a se tornar uma pantera negra toda vez em que pedisse qualquer tipo de recompensa. Entretanto, a maldição foi sofrendo alterações mágicas até o próprio Kelemvor, que em sua versão atual, para ajudar alguém, ele DEVE pedir recompensa sempre. O quê num primeiro olhar, para as pessoas ao redor, fica parecendo que o personagem só age por pura ganância. Um plot-twist bem interessante que é bem desenvolvido ao longo do livro. Aos poucos, quando a verdade vem à tona, Midnight acaba se envolvendo romanticamente com o guerreiro, por ver que ele de fato é um homem honrado e fiel. Até sua aparente misoginia é explicada por sua desconfiança de mulheres e magia, tendo em vista que foi uma maga que condenou os homens de sua família. Quem quiser conferir a cena dele explicando toda a origem da maldição, só ir na página 223 do romance. Quem conhece bem o panteão de Forgotten Realms da 3ª edição, já deve ter ideia do que acontece com ele no final da trilogia.

Adon (humano, clérigo de Sune) – Adon, é um personagem que cresce também. Sempre idealista, (e até um pouco ingênuo), Adon, fica chocado com os eventos que baniram os deuses, ele se decepciona com os deuses e se sente abandonado por Sune. Ao longo da trama, ele vai vendo o que outros deuses estão fazendo (ou não fazem) com seus adoradores e vai se tornanado cada vez mais apático. Para o meio do livro, ele recebe um ferimento que o deixa com uma cicatriz no rosto, comprometendo completamente sua fé na deusa da beleza e do amor, e ilustrando de maneira figurada sua cisão na fé, que provavelmente será restabelecida nos próximos livros.  


Cyric (humano, ladrão)
– Cyric é aquele personagem ambíguo que funciona. Nascido e criado nas ruas de Zhentil Keep, ele é manipulador ao extremo e é um personagem que sabemos que vamos amar odiar. No início da trama, ele está trabalhando juntamente com Kelemvor, para a guarda local, que está precisando aumentar seu contingente nesses tempos nefastos. Novamente, quem conhece bem o panteão de Forgotten Realms, também sabe que fim Cyric terá ao término do Tempo das Perturbações.  

A trama

Já no plano material, nossos personagens principais convergem para a cidade murada de Arabel. Lá, encontram uma cidade bem soturna e sinistra, onde sempre está chovendo em suas ruas e becos escuros. Nas tavernas, as pessoas estão com medo e já circulam histórias e boatos de que há deuses andando por aí e que a magia está causando caos e destruição em todos os lugares. O que estabelece um clima de paranoia muito bem-vindo ao livro. Nossos personagens principais então, são reunidos por uma menina chamada Caitlan Moonsong que diz que há uma donzela aprisionada num castelo negro, num vale sombrio e que precisa ser resgatada urgentemente. Essa trama clássica, que soa até genérica, se mostra bem mais complexa quando a identidade da tal donzela é revelada.  Sem saber da dimensão real de sua missão, eles são levados para o resgate da própria Mystra (deusa da magia), mantida refém por Bane (deus do conflito e da tirania). Depois de serem postos à prova no Castelo Kilgrave, eles resgatam a Deusa da Magia e derrotam Bane, ainda muito enfraquecido e desacostumado com o corpo mortal. Mystra então, ruma até uma das Escadarias Celestiais guardadas por Helm, mas é impedida pelo deus guardião. Mystra enfraquecida, é derrotada, mas antes de ter a essência espalhada, diz que o grupo deve rumar para o Vale das Sombras e avisar ao famoso Elminster, o sábio, que as Tábuas do Destino devem ser encontradas e que não devem cair em mãos erradas. Nesse momento, Midnight recebe mais uma fração do poder de Mystra.

A partir desse ponto, nosso grupo vai atravessar diversas regiões onde a natureza está agitada e caótica, como uma floresta onde todos sabem que é habitada por aranhas gigantes, mas ninguém estava preparado para as versões mais bizarras e cruéis dessas criaturas, por exemplo. Na real, quase rola um TPK nas Spiderhaunt Woods...kkkk. A travessia da Shadow Gap, deve agradar especialmente leitores de wierd fantasy, onde o grupo é quase engolido por estranhos movimentos das próprias montanhas. Por fim, o grupo chega até o Vale das Sombras onde convencem Elminster que eles resgaram Mystra e que ele precisa ajuda-los a localizar as tábuas. Além disso, o tempo urge, pois Bane e seus lacaios estão marchando com um exército bem maior para atacar o Vale das Sombras. Nesse tempo, o grupo desenha suas defesas e em paralelo, Elminster detecta a localização da primeira tábua, em algum lugar de Tantras, mas a segunda continua incógnita.

Os últimos capítulos, se dão pela famosa Batalha do Vale das Sombras onde os moradores, e até habitantes dos vales ao redor se unem para defender o coração da Terra dos Vales, com direito à participação dos Caveleiros de Myth Drannor, o grupo de aventureiros que fez seu nome no livro Spellfire (de 1988). Kelemvor liderando uma tropa de um lado do vale, Cyric fazendo o mesmo, de outro. Interessante a cena, onde os homens não sentem confiança em lutar ao lado do ladino, mas através de manipulação, ele os convence a ficar. A batalha final se dá com a revelação de que o tempo todo, Bane não tinha interesse no Vale das Sombras em si, mas sim, num acesso da Escadaria Celestial contida próximo ao Templo de Lathander. Elminster juntamente com Midnight, canalizam todo o poder para criar uma fenda mágica onde dela, sai ninguém mais, ninguém menos do que a própria Mystra, agora uma Elemental de Magia Primordial. Elminster cai na fenda, justo quando Mystra debulha o avatar de Bane. E exceto por Midnight e Adon, são tragados para a fenda que se fecha. A cena final são os Cavaleiros de Myth Drannor chegando até a cena da derradeira batalha arcana e decretando a prisão de Midnight e de Adon, pela morte (aparente) do Sábio dos Vales. Um gancho inusitado e meio bizarro, mas interessante de qualquer maneira. Realmente estou curioso para ler o segundo volume.

Nos anos 90, tivemos um suplemento
descrevendo todo o Vale das Sombras. 

Conclusão

Shadowdale tem muitos elementos bons, mas parece que temos um autor pouco corajoso, cujos personagens ainda são reféns do acaso, possuindo pouquíssima autonomia (exceto Cyric, talvez). Apesar de até serem carismáticos, eles apenas reagem às reviravoltas das tramas e às ações de personagens adjacentes, ainda mais quando aparecem mega-NPCs como Elminster e a própria Mystra. Talvez tenha sido uma decisão consciente de mostrar os aventureiros no meio do "fogo cruzado" entre deuses, mas não sei se é a melhor forma de fazer isso. Além disso, alguns diálogos são fracos, principalmente nas cenas com Bane, que se mostra um senhor do mal caricato, como um mix entre Shao Kahn (na aparência) com Shang Tsung (comportamento), almejando a alma de todo mundo para ganhar mais poder, depois de um trato feito com Myrkul.    

Uma curiosidade, é que em sua época de lançamento, três módulos de aventura (cada uma com o nome respectivo de seu romance) foram lançados, convidando seu grupo a fazer parte de fato, dos eventos que abalaram Toril. A galera costuma elogiar essas aventuras, mas fala que os personagens possuem pouca agência também, pois os eventos principais, pré-determinados, devem acontecer para que a trama siga para o próximo módulo. Por isso é importante que o DM lenha os romances e as aventuras de antemão para ter um "jogo de cintura", e que possa colocar a história de volta nos trilhos, assim que possível.

Jogue em AD&D ou adapte para sua edição favorita!

É inegável que Shadowdale é um clássico, recomendado para todos os que amam Forgotten Realms e esse importante evento que até dividiu os fãs do cenário, mas que ainda assim é vital para entender sua timeline. Se for em busca desse material, sugiro procurar no Ebay e na Amazon americana. Sendo pockets, possuem preços bem justos por lá. Vale até mesmo para quem está buscando um primeiro livro para testar o inglês, pois realmente utiliza uma linguagem bem simples e direta, longe do faux-shakespeariano de Greenwood e de Gygax e até mesmo dos floreios dramáticos do Salvatore.

Abraço a todos e boa leitura!

sábado, 16 de abril de 2022

Video Resenha: The Keep on the Borderlands

  Opa! Saiu hoje em nosso canal no Youtube, uma pequena resenha dos módulos de aventura mais queridos e clássicos. Tempos atrás havia escrito uma resenha dela AQUI, mas agora gravei um vídeo falando sobre esse material inteiramente old school. Clique na imagem acima ou no link abaixo para conferir:

https://youtu.be/RMIOSe0cKW4