sábado, 28 de maio de 2016

Nostalgia: D&D da GROW



Era uma manhã chuvosa de 1994. Eu estava na 4ª série. E conheci o RPG. 

A poderosa arte de Jeff Easley
Um amigo meu levou para a escola uma caixa enorme, linda, com um dragão vermelho investindo dramaticamente. Fazendo frente à ele, um mero humano, bravo, empunhando um machado. Estava pronto pra enfrentar a besta. Pronto para morrer em batalha. Aquilo me fisgou para sempre. “Como assim um jogo” – eu perguntei. “Mas como faz pra ganhar? Tem que matar esse dragão?”. Com essas perguntas em mente, eu e meus amigos fomos pro recreio experimentar aquele estranho jogo.

Exclamei novamente ao abrir a caixa e contemplar os componentes: tabuleiro, miniaturas, livros lindamente ilustrados, dados coloridos e bizarros! 

Esses são exatamente os dados que vieram na caixa!
As miniaturas de papelão.
 Meu amigo já tinha jogado com o irmão mais velho e conseguiu explicar bastante coisa (na teoria pelo menos):

- um dos jogadores (ele no caso), seria o Mestre. Esse era um jogador especial, que contava a história e determinava o objetivo de cada partida.
- apesar do tabuleiro e das miniaturas, o jogo ocorria principalmente em nossa imaginação. Mas iríamos usar as miniaturas na hora do combate.
- o jogo permitia criar seus personagens, mas para agilizar, ele trouxera alguns prontos para agilizar a partida.  

Escolhi o clérigo. E lembro que nossa primeira aventura foi adentrar um cemitério para encontrar a jóia de uma princesa. Uma herança de sua avó, que ela queria reaver. Morremos para mortos-vivos no cemitério e a princesa nunca recuperou sua tiara. Mas nos divertimos epicamente! Daí, atazanei a vida dos meus pais até eles comprarem o jogo no Natal.

A primeira masmorra de muita gente por aí.
 A caixa do Dungeons & Dragons lançada pela Grow correspondia a uma releitura da lendária Caixa Vermelha da antiga TSR (que fora posteriormente comprada pela Wizards of the Coast). Levava os personagens do nível 1 ao 5 apenas, mas a revista Dragão Brasil publicou uma matéria que permitia avançar até o 10º nível. Na época, cheguei a fotocopiar a matéria e colocar na caixa.

Esse era o artigo da Dragão Brasil.
 Fiquei fissurado no jogo, ao ponto da minha mãe ter que guardá-lo em épocas de prova! Tadinha, ela fazia por bem, mas sempre caguei para matemática, física e química. Eu não queria ser matemático, físico, muito menos, químico. Queria contar histórias, entreter pessoas com palavras, hoje sou formado em Cinema e trabalho como produtor e roteirista. Ela pede desculpas ao se lembrar disso, e diz que achava estar fazendo o melhor. Eu acredito nela, tinha que atravessar aquele hospício infernal com malditas notas altas. O D&D da Grow foi o local onde encontrei o lugar para explorar os limites da minha imaginação, da minha inerente criatividade, que exercitava na época, através de desenhos animados, histórias em quadrinhos, filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Havia encontrado por fim, um jogo sem fronteiras para minha imaginação.

Bons jogos a todos.

14 comentários:

  1. Comigo foi o mesmo. Mas no meu caso foi o Dragon Quest. Eram três aventuras. A primeira não me lembro bem. Mas na segunda matamos um minotaura que tinha uma espada para matar dragões. Na terceira enfrentamos o dragão vermelho que assolava a região. Detalhe que o dragão tinha algo em torno de 50PV. Muito pouco, mas muito difícil de matar. SENSACIONAL

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  2. Sensacional de fato. Obrigado por ler e compartilhar sua experiência aqui no blog. O próximo post nostálgico será justamente com o Dragon Quest. Por isso continue acompanhando. Abraço.

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  3. jamais havia visto! muito maneiro!

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    1. Opa, é um conjunto bem maneiro mesmo. Guardo com muito carinho. Obrigado por ler e comentar.

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    1. Valeu Henrique, curta nossa fanpage para acompanhar novos posts.

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  5. Eu ainda tenho o D&D da Grow! Só que minha caixa já não existe. Mas o resto está intacto. Ótima matéria. Me deixou com vontade de jogar!

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    1. Valeu Franz. Até hoje, gosto de apresentar o jogo à novatos, usando essa caixa da Grow. Abraço.

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  6. Eu cheguei a ganhar essa caixa da Grow de um amigo mas já mestrava RPG a muito tempo. A edição atual era a 3.5 D&D e acabou que nunca consegui jogadores pra poder usar esse material, mas li ele e me ajudou muito a ter boas ideias para as aventuras. Depois também ganhei uma caixa do AD&D segunda edição. Comecei no RPG com os livros jogos do qual tenho muito carinho e coleciono até hoje, seria uma boa você fazer uma matéria sobre eles também .

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    1. Joguei bastante os livros-jogos da Fighting Fantasy. Principalmente Feiticeiro da Montanha de Fogo e Cidadela do Caos, mas foi uns 2 anos depois que conheci o D&D. Anotei sua sugestão aqui. Obrigado mesmo por ler e comentar. Abraço.

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  7. pessoal, beleza?

    poderiam, quem tiver, scanear os jogos Dungeons & Dragons e Dragon Quest e postar aqui no blog os arquivos.

    Agradeceria muito, pois meus 2 jogos estão incompletos.

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    1. Olá amigo. Infelizmente não tenho scanner bom pra isso. Além disso, evito propagar material com direitos autorais aqui no blog. Disponibilizo apenas material criado por mim ou de terceiros, que permitam. Entretanto, acredito que já exista esse material scanneado em alguns sites por aí. Abraço!

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