sábado, 22 de fevereiro de 2020

Resenha: Elric – Dark Fantasy Roleplaying



O blog ainda vive! Além disso, estou numa vibe para RPGs dark fantasy ultimamente. Na verdade, isso é cíclico: às vezes me canso e volto para o gênero mais clássico da fantasia, com seus maniqueísmos e finais felizes. Ambas as propostas, têm muito o que oferecer e isso é ótimo.

A resenha de hoje, é sobre “Elric! – Dark Fantasy Roleplaying”, que é praticamente, a segunda edição do jogo Stormbringer, publicado pela mesma editora). Falando nela, a Chaosium (famosa por dois jogos já resenhados aqui no blog: Pendragon e Call of Cthulhu), entendeu desde muito cedo, que seus jogos deveriam ser sobre personagens únicos. Nada de “pacotes pré-fabricados” como conceitos de classe de personagem, para citar um exemplo. Ela abraça tanto essa postura, que suas maiores fontes de inspiração para seus RPGs, são justamente a literatura. Pendragon com Sir Malory, Call of Cthulhu com Lovecraft e Stormbringer com Michael Moorcock. A saber, dois volumes já foram publicados aqui no Brasil pela Editora Generale, mesmo que o terceiro esteja demorando demais. Começo a me preocupar se a série foi abandonada...

Divertindo-se em um mundo em decadência

O mundo de Elric, em seu cerne, mostra o embate entre o Caos e a Ordem, e os caprichos de seus respectivos deuses e avatares. O palco desse embate, são os Reinos Jovens, nações pequenas que odeiam e temem o continente mais velho, antigo e misterioso. O livro básico, detalha esses territórios, escopos socioeconômicos, idiomas e até como essas nações lidam (ou lidaram) com magia. O objetivo desse embate entre as forças primordiais, é o domínio cósmico da existência. Seria simples, se não houve a força neutra do equilíbrio, que não pode deixar a balança pender para um lado, nem para o outro. Só me faça um favor de não confundir Ordem com Bem. Se um personagem perdeu a amada e deseja se vingar, ele ganha pontos de ordem, pois ele está restaurando a ordem que havia sido desestabilizada (pelo menos na visão cósmica da coisa). Salvar a vida de alguém, lhe fornecerá pontos de Equilíbrio, a saber.

É nesse ponto que o sistema começa a brilhar. Seu personagem pode ganhar pontos de Caos, Equilíbrio e Ordem. Esses pontos podem ser usados de duas formas: como pontos de magia extras (como um “esforço heroico” mágico) e como chance percentual para clamar para uma das forças. Sabe quando o Conan se frustra e clama por Crom? É como se nesses momentos, o jogador tentasse demandar ajuda dessas forças que regem o universo. Elric muitas vezes, tomado de ira e dor, chama Arioch para ajuda-lo em sua vingança. Esses pontos, podem ser obtidos fazendo Quests que recompense uma dessas facetas. Um personagem que obtenha 20 pontos em uma dessas facetas, se torna um aliado dessas forças e recebe bônus por isso. Um personagem que obtenha 100 pontos nessas facetas, chama tanta atenção das forças regentes desse aspecto, que ele é convocado para ascender e se tornar uma força ativa dentro desse aspecto. Ele pode aceitar se tornar um Campeão ou rejeitar. Há uma série de vantagens (tanto mecânicas quanto dramáticas), para aqueles que aceitam. Ele poderá até mesmo viajar entre os planos. Massavéio!  

Sistema e Letalidade

Para quem está se perguntando, Elric usa as regras do Basic Rules da Chaosium, com pontuais ajustes. O mesmo acontece com CoC e Pendragon, por exemplo. Logo, basta jogar 1D100 contra uma taxa em porcentagem. Quanto menor, melhor o resultado. Sete atributos que variam de 8 a 18 (rolando-se 2d6+6 para definir cada um), com a opção de realocar 3 desses pontos. Os pontos de vida são a media entre Constituição e Tamanho (e não vão mudar muito, a não ser por efeitos mágicos de pontos de vida temporários). Logo, uma espadada que causa 1d8+1+1d4, será letal no logo início, no meio do jogo ou no final do mesmo. Aprendeu D&D? kkkkkk...

Falando em espadada, o combate em Elric é bem letal. Havendo tabela de Falhas Críticas, e caso o seu personagem receba dano numa única porrada igual ou mais que a metade de seus pontos de vida, ele receberá um Major Wound, que poderá se agravar sem os devidos convidados, ou criar consequências sérias para o personagem, além de uma bela cicatriz. Mecânica bem-vinda para a proposta Dark Fantasy do cenário.

Diabruras

O RPG e os romances
Quem leu os romances, sabe que as magias em Elric, são bem únicas e perigosas. “Lâmina infernal” por exemplo, é uma magia que aumenta o dano da sua arma, “Quatro em um” é tirada diretamente do segundo livro e seu efeito é bizarro e incrível, permitindo que quatro aventureiros de fundam para lutar como uma invencível máquina de combate. Entretanto, aconselho o Mestre a criar novos efeitos e nomes bizarros para eles. Pode ser que o personagem encontre um simples pergaminho de Bola de Fogo. Mas basta colocar as runas como algo “Sopro de Arioch”, para dar um peso maior para a descoberta e deixar que experimentem por conta e risco próprio. Será bem mais interessante. Além disso, pense em magias bem mais poderosas. Usando a Bola de Fogo novamente, como exemplo, não faça aquela explosão devidamente delimitada e exata. Faça com que ela exploda todo o corredor, faça desabar as colunas atrás e incendiar tudo ao redor. Pense grande!

Itens mágicos? Existem sim, mas nada de espadas +1 genéricas. Todos os itens mágicos são únicos. Confeccionados em outras eras, para servir a propósitos mesquinhos. Podem ser artefatos voltados para o Caos, para a Ordem ou para o Equilíbrio. O Mestre pode até mesmo colocar um valor necessário de Caos para o personagem poder usar um artefato desse aspecto, por exemplo.

O mundo de Elric é repleto de demônios também. Eles tentarão te ludibriar para conseguir o que eles querem. Existem várias tabelas aleatórias para a criação deles: como são invocados, o que eles querem, aparência, nível de poder, habilidades especiais que possuem, etc. Logo, você nunca encontrará dois iguais. 

Leia Elric escutando ISSO AQUI e me agradeça depois.

Conclusão

Elric RPG é porreta! Se os seus jogadores leram os romances, ótimo. Se não leram? Melhor ainda! Eles irão estranhar tudo no cenário, se estão vindo de anos de D&D. Entre algumas ideias estão: os personagens estão numa missão diplomática a um reino exótico, que cultua um panteão perigoso. Os personagens podem ser membros de um corpo militar (algo como A Companhia Negra ou Malazan), podem ser piratas na Baía de Menii, aventureiros em busca da Cidade Mítica de Tanelorn, ou podem ter sido contratados por um estranho nobre deformado para recuperar o elmo maldito de sua família, etc. O livro base ainda traz ficha de inúmeros monstros, principais NPCs das sagas e até uma aventura pronta. Se tiver a chance de experimentar Elric RPG, não deixe passar.

Grande abraço para todos!

6 comentários:

  1. Salve Ranieri!

    Bom ver que o blog ainda está ativo e vivo!
    A editora generale anunciou que o terceiro livro já foi traduzido e que deve ser lançado em março agora. Vamos torcer... tbm sou grande fã de Elric.
    Bela matéria
    Abs!

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  2. Acho Elric muito foda, pena ele não ser tão famoso quanto Conan embora sejam contemporâneos. Faltou um material para ele nos tempos atuais seja na forma de um cenário ou um Boardgame (coisa que o Conan tem muito, por exemplo), quem sabe um dia não rola uma adaptação para DCC. Ótimo saber que ainda posta, você é um estímulo para que eu continue meu blog.

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    1. Opa, obrigado pelas palavras. Você está certo, falta um trabalho para fortalecer a marca "Elric", de fato. Vamos ver se a Generale lança o terceiro volume da saga, e o hype aumenta. Grande abraço!

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  3. Bom saber que o blog continua ativo. Gosto muito das suas resenhas.

    Abraço

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