quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Aventura do RPG no Brasil - GURPS

Como vimos anteriormente, a virada da década de 1980 para a de 1990 foi quando os RPGs começaram a chegar "oficialmente" aqui no Brasil. Esse movimento, que começou com os livros jogos, logo se estendeu para sistemas de RPG com a chegada do GURPS.
A capa era meio feia, mas foi o primeiro GURPS aqui no Brasil.
Criado em 1986 por Steve Jackson (não o de Aventuras Fantásticas), GURPS veio para preencher uma lacuna no mercado de RPGs. O sistema foi um dos primeiros a usar regras genéricas e flexíveis para simular qualquer tipo de aventura. Essa ideia foi muito bem recebida no mercado americano e não demorou para o sucesso de GURPS chegar ao Brasil.

Mas não é possível falar sobre a chegada do GURPS no Brasil sem falar sobre uma pessoa e uma editora: Douglas Quinta Reis e a Devir.

Douglas fundou a Devir em 1987 como uma importadora e distribuidora de quadrinhos, mas a editora logo expandiu seus negócios e começou a trazer revistas de RPG para o mercado brasileiro.

"A gente descobriu que existia uma coisa chamada RPG. Começamos a importar a Dragon e a Dungeon, revistas de Dungeons & Dragons, e percebemos que em alguns lugares aquelas revistas vendiam. Então começamos a anotar onde elas vendiam bem." (Douglas Quinta Reis em entrevista para o canal Novo Nerd - Link)

Conhecendo o mercado, naturalmente, a decisão da Devir foi tentar produzir conteúdo nacional de RPG. Esse projeto acabou não decolando e a ideia de trazer mais RPGs para o Brasil só foi se materializar mais tarde. Muito por causa de um autor que todos devem conhecer: George R. R. Martin.

"Eu estava escrevendo um texto pro Recado, um boletim que a gente fazia semanal, e tinha que falar sobre uma série de ficção científica chamada Wild Cards. E procurando material pra escrever o boletim eu descobri que existia um jogo baseado no Wild Cards, e era um suplemento do GURPS. Entrei em contato com a editora e eles mandaram uma caixa de livros de GURPS." (Douglas Quinta Reis em entrevista para o canal Novo Nerd - Link)

Com todo esse material em mãos, Douglas convenceu seus colegas de editora a trazer o GURPS para o Brasil e fechou o acordo para traduzir o sistema. Tarefa que realizou pessoalmente, criando muitos dos termos que o hobby conhece hoje.

As vendas de GURPS começaram devagar, mas a Devir logo trouxe mais material. GURPS Fantasy, GURPS Magia, GURPS Cyberpunk e GURPS Supers vieram nos anos seguintes e solidificaram a importância e a influência do sistema no Brasil.

"Quando a gente fez o GURPS Supers conversamos com Steve Jackson pra já colocar o Wild Cards por que a gente queria que tivesse não só as regras, mas um cenário também. E eu posso dizer que fui a primeira pessoa no Brasil a publicar George Martin." (Douglas Quinta Reis em entrevista para o canal Novo Nerd - Link)

Atualmente a Devir não trabalha mais com GURPS e o jogo não tem mais uma representação oficial no Brasil.

Essa coluna também é minha forma de homenagear a vida e o trabalho de Douglas Quinta Reis. Ele faleceu em outubro de 2017. O mercado editorial brasileiro definitivamente perde muito sem a presença de um dos maiores pioneiros da cultura geek no país.

Sem ele, muito desse mercado não existiria.
Por hoje é só, amigos. Quem quiser ler mais sobre GURPS, o Ranieri fez um baita texto aqui mesmo no blog que pode ser lido nesse link. Abraços e até a próxima, quando vamos falar do primeiro sistema de RPG genuinamente brasileiro.

5 comentários:

  1. Bate maior saudade de jogar GURPS! Vejo os suplementos parados lá em casa e dá até tristeza! Temos que marcar umas sessões de Old West, Miguel! Aproveitando o hype do Red Dead 2!

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  2. mestro até hoje, atualmente minha mesa está jogando star trek com esse sistema. Mas uso pra medieval e para guerras urbanas tipo Mad max

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    1. Maneiro, sempre tive vontade de experimentar Star Trek com GURPS. Uma vez, quase comprei esse Prime Directive para tal: https://en.wikipedia.org/wiki/GURPS_Prime_Directive. Abraço!

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    2. Sempre joguei GURPS medieval ou aventuras de investigação moderna, mas ele parece mesmo funcionar bem pra quase tudo, até ficção científica.
      Ah, e ainda quero jogar GURPS Supers também.
      Valeu pelo comentário.

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