segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Nostalgia: Blacksand



É incrível o sucesso que os posts sobre os materiais da série Aventuras Fantásticas fazem aqui no blog. É notável o carinho que muitos fãs ainda possuem por esse sistema simples e cativante. Nada mais natural de dar continuidade com mais uma resenha nostálgica, dessa vez com Blacksand: o segundo volume da série, lançado em 1994 (um ano depois de Dungeoneer) pela editora Marques Saraiva. Logo de cara, podemos perceber que Blacksand tinha 4 objetivos bem distintos: trazer novas opções para os jogadores, apresentar ferramentas para criar NPCs, vilarejos e cidades com personalidade, descrever em detalhes o Porto Blacksand, um cenário urbano bastante rico e perigoso para os aventureiros e por fim, trazer a mega aventura "Uma Sombra sobre Blacksand", uma campanha completa, repleta de traição e investigação no cenário proposto.


Entre as novas regras, temos novas Habilidades Especiais e algumas readaptadas para o cenário urbano. Temos agora, Conhecimentos de Cidades, das Leis, Sinais Secretos, entre outras. Ponto alto para a Habilidade Especial chamada Magia Inferior, que são pequenos truques e efeitos úteis, que servem bem para um NPC xamã, ou um pequeno mago, um velho eremita, etc. Em Titan, um bardo é simples menestrel. Mas se o Mestre desejar um bardo próximo ao de D&D, pode aplicar essas Magias Inferiores para tal. Entre elas, estão por exemplo: Flautista Encantado, Calor, Azedar, Remendar e outros. Além disso, explica que quase todas todas as magias de TITAN, podem ser lançadas com seu efeito inverso, ao custo extra de 1 ponto de Energia (ou 2 pontos se a magia for bastante poderosa). 

Ainda sobre magias, Blacksand nos traz oficialmente, a opção de montar um clérigo. Para tal, a mecânica é idêntica ao explicado no meu post sobre Dungeoneer, mas o livro traz na página 48, uma lista exclusiva de magias sacerdotais. Detalhe para a magia Chamar Ser Sobrenatural que funciona exatamente como nas histórias pulp. Remete-me na hora, ao Sacerdote Vermelho nas histórias do Conan, invocando dentro de seu templo, a entidade Anu, o deus touro. Estranhamente, um feitiço tão clássico do gênero e é pouco abordado em outros jogos. Naturalmente, as páginas seguintes trazem a relação do panteão e respectivos aspectos, avatares, cores e feitiços proibidos pelos dogmas. Quem leu o TITAN e o romance "As Guerras de Trolltooth", vai se lembrar dessas divindades.

Entre as outras regras apresentadas, estão a Escala Social do Personagem, onde joga-se um dado para verificar se o PC/NPC pertence a classe social de camponês, fazendeiro, trabalhador, artesão, mestre artesão ou líder. A seguir, ferramentas para criar aleatoriamente povoados e cidades. Há tabelas para criar a população, os estabelecimentos existentes no local, que tipo de negócio os aventureiros podem encontrar, gerar qualidade das tavernas e número de frequentadores (por hora do dia). A tabela de criação de personalidade de NPCs é uma das mais completas que já vi!

O próximo capitulo, aborda o Porto Blacksand propriamente dito: com um mapa completo, mapa por seção da cidade, timeline dos principais eventos, e as construções, serviços e NPCs que podem ser encontrados em cada um dos distritos. Toda a cidade-estado, governada pelo misterioso e maligno Lorde Azzur (sua história é contada em detalhes no livro Titan - O mundo de Aventuras Fantásticas e merece um post próprio). Lorde Azzur é o responsável por transformar Blacksand em um reduto de bandidos, piratas e nobres corruptos. Entretanto, é o local certo para os personagens obterem informações, equipamentos raros, serviços escusos e contatos que não julgam seus métodos. Temos muita informação para elaborar aventuras dentro de Blacksand: como a lei funciona, quais as guildas operantes e as famílias mais influentes que conspiram entre si e até gangues de rua. O capitulo ainda aborda as moedas correntes, sistemas penais e as taxas de câmbio para quem vem de fora. Temos até mesmo um gerador de clima e um gerador de ganchos de aventura para a cidade, dignos de um RPG old-school.

Por fim, Blacksand fecha com uma enorme aventura de intriga urbana em mais de 100 páginas. "Uma Sombra sobre Blacksand" funciona perfeitamente como introdução ao cenário e como campanha completa, se passando toda na famigerada cidade-estado e arredores. Se os jogadores passarem a usar Blacksand como base de operações, melhor: o livro espera que isso aconteça e oferece muito material para tal. Sendo assim, Blacksand é um cenário incrível até hoje. Suas tabelas e ideias, podem ser usadas com seu jogo favorito. A propósito, Blacksand tem a arte interna do incrível Russ Nicholson (que é um dos artistas do Dungeon Crawl Classics, diga-se). Seus desenhos estabelecem diante dos seus olhos, o clima proposto pelo jogo: Titan é um mundo sujo, misterioso e perigoso.

Infelizmente, o terceiro e último livro da série, Allansia, nunca veio para o Brasil e até o importado é bastante raro hoje em dia. Allansia traria mais uma remessa de regras novas (entre elas novas raças jogáveis e combate em massa) e abordagens para aventuras nos ermos selvagens. Mas anime-se: nossas resenhas não acabaram. A próxima, será sobre o bestiário de Aventuras Fantásticas: o Out of Pit - Saídos do Inferno.

Abraço a todos e bons jogos.

12 comentários:

  1. Muito boa resenha para matar saudade desse mundo incrível!

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  2. Uma pergunta essa imagem de quadrinho é de Blacksand?!

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  3. Assim como Allansia, também teve o ter terceiro romance ambientado no cenário, também não saiu por aqui, infelizmente.

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    1. Verdade. Dos romances, só li o primeiro. Curti bastante.

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    2. O segundo livro, "Demonstealer" é bem mais obscuro, mas é uma boa continuação. A série diverte e representa bem o gênero.

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  4. vi allansia + blacksand + dungeoneer num pacote por 500 reau no ebay. se de repente fizermas uma vaquinha depois de ganharmos na mega....

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    1. Estou de olho na Noble Knight. Coloquei a lista de wanted lá.

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    2. e acho que você deve saber: allansia tem um pdf na 4shared X)

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  5. Excelente resenha! Blacksand sem duvida é um suplemento que pode ser facilmente adaptado para outros cenários ou regras.

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    1. Valeu, Brenno. Blacksand é riquíssimo de fato, já usei com Old Dragon, Ad&d e DCC. Abraço.

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