sábado, 29 de outubro de 2016

Nostalgia: Ravenloft Domínios do medo



O preço desse livro hoje em dia, exige um teste de Medo!
         
O livro tem uma diagramação caprichada.
Aproveitando o mês do terror, me sento para relembrar meus primeiros contatos com o cenário gótico do Ad&d que nasceu de uma aventura chamada Castle Ravenloft, grande fenômeno na era de ouro da TSR. Lembro que já conhecia o cenário de nome e sabia de sua proposta aterradora que explorava nuances pouco visadas em outros cenários. Se os outros mundos de Dungeons & Dragons abordavam a literatura clássica de fantasia, esse visaria a literatura clássica de terror e horror.

     O primeiro produto da linha ao qual coloquei a mão, na verdade, não foi um livro, e sim, o jogo para MS-DOS Strahd´s Possession, ao qual demandava um kit multimídia para jogar! O jogo fez sucesso na época e joguei muito com meus amigos. Até hoje posso recomendar esse jogo: criação de personagem completa (na forma de uma consulta com uma vistani), muito equipamento, NPCs que entram no seu grupo, diálogos interessantes que fomentam a trama, e o melhor: o domínio da Barovia para ser explorado e investigado por você.


     A maioria só reclama da Devir, mas ela pegou a linha do Ad&d que estava abandonada pela Abril e escutou as reclamações dos fãs do RPG: de que Ad&d (tirando Forgotten Realms e Mystara que a Abril havia lançado alguns anos atrás) não tinha nenhum dos cenários diferenciados traduzidos. A galera, mesmo naquela época, já queria experimentar as desconstruções do gênero fantástico. Assim, em 1999, a Devir lança (junto com uma reimpressão com erratas do Livro do Jogador), Ravenloft, Domínios do Medo, um livro completo que fazia um apanhado das caixas e do lore até então estabelecido no cenário.
Cada domínio é um pequeno inferno!

     Domínios do Medo é um livro enorme e completo de fato: é impossível folheá-lo e não ficar inspirado para criar histórias com a devida proposta. Um belo e raro equilíbrio entre fluff e crunch, o livro trazia descrição rica das terras assombradas, dos lordes sombrios, das sociedades secretas, dicas de como estabelecer uma genuína atmosfera gótica e ainda quatro novas classes de personagem (o vingador, o anacoreta, o cigano e o arcanista), uma nova raça (o meio-vistani), novas magias, as regras para resistir ao Medo, Horror e Loucura, e por fim, a cereja do bolo: regras para os Testes de Poder, que eram realizados quando o jogador extrapolava a sua própria humanidade realizando atos tão cruéis que chamavam a atenção dos Lordes Sombrios e até do próprio semi-plano, o que garantia deformações e habilidades especiais aos personagens!
     Assim que coloquei a mão nessa belezinha, transportei meus jogadores pelas Brumas para o semi-plano do terror e como meu cronograma permitia na época (traduzindo: não fazia porra nenhuma da vida!), passei o horário do jogo para à noite. Nunca me esquecerei das conspirações com Lorde Soth e Strahd, ajudando as caravanas vistani em troca de favores para passar de um domínio para o outro, de navegar pelo Mar das Lágrimas e encontrar capitães amaldiçoados e ilhas assombradas e no final, morrer facilmente para Vecna!
     Hoje o livro é raríssimo e poucos de desfazem dele. Na verdade, se não fosse pela ausência das listas de magias, daria pra jogar Ad&d só com esse livro! Ele tem as tabelas de resistência, de combate, as classes, as raças, tudo personalizado para Ravenloft. O livro possui tanta informação e ferramentas que é possível usá-lo para jogar com o Dungeon Crawl Classics, Dungeon World, D&D 5ª edição, como diziam nos anos 90: "sua imaginação é o limite".

Bons jogos para todos e boas recordações!

11 comentários:

  1. foi o primeiro livro que comprei de RPG, já tinha jogado e queria algo pra mim, mas não fazia ideia do que era um livro de cenário de campanha pros livros básicos, comprei e fiquei meses com ele sem saber como usar, inventando meios. Tenho até hoje.

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    1. Nossa, o primeiro? Pode ter sido confuso mesmo, pois era a desconstrução de muita coisa. Até menciono no post que dá pra jogar Ad&d com ele, mas exige bastante experiência por parte do mestre. Que bom que tem até hoje: é um material raro e bem escrito. Obrigado por ler e comentar aqui. Abraço.

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    2. Olá Pedro, tem interesse em vende-lo?

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  2. Gostei muito do post. Mas o que acha do Ravenloft para o D&D 3.0? Devido a raridade de adquirir o Ravenloft apresentado nessa matéria eu tive que me contentar com a versão feita para o D&D 3.0, pois é mais recente e muito mais fácil de se adquirir.

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    1. Opa, que bom que gostou! Eu tenho e já usei bastante o Ravenloft + Nativos das Trevas para 3.0/3.5. Eu gosto daqueles livro de fato, mas tenho problemas com a estruturação em formato de série que optaram: um livro com o básico, outro com as criaturas, outro com os lordes sombrios. Acaba que cada livro passa uma experiência válida, porém, incompleta. Mas foi sim, uma grata surpresa o Ravenloft ter recebido seu tratamento para D20 na época que a licença aberta dominava. Abraço e obrigado por ler e participar.

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  3. Po muito bom esse artigo, o difícil é encontrar esse livro... Estou aguardando um artigo sobre Undermountain.

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    1. Opa, valeu Edison. Undermoutain será o próximo nostalgia! Pode deixar. Obrigado por acompanhar o blog e comentar sempre que possível. Abraço!

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  4. Lembro de jogar Strahd's Possession contigo, único contato que tive com Ravenloft até hoje.
    Mas sempre me pareceu um cenário interessante.

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    1. Pode crer, ele era muito bem feito pra época. A gente virava a noite jogando e explorando o cenário e juntando coragem pra entrar no castelo do Strahd! hahaha... Tempo bom! Abraço!

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  5. O meu primeiro contato já foi por Stone Prophet, que se passava no domínio de Harakir. Um amigo comprou num feira por 10 reais e me deu, foi muito inusitado. Dava pra importar os personagens de Curse of Strahd. Como meu Livro do Jogador veio com defeito, usava o manual de Stone Prophet e do Baldur's Gate para as magias de primeiro e segundo nível de mago.

    Ravenloft foi um cenário que sempre quis mestrar, tinha uma aventura com várias ramificações tentando prever o que os jogadores fariam, mas as vezes que tentamos jogar não passaram da primeira sessão, com algum personagem se corrompendo (pela única trilha que o Domínios do Medo disponibilizava, a do lobo).

    Uma pena que esse livro não fez uso das cartas de Tarokka para expandir as formas de se gerar aventuras.

    Havia alguns erros na versão nacional: a imagem do Adam era repetida em outro dark lord e as molduras das imagens acabaram ficando rosadas pela impressão.

    Ravenloft para mim acabou sendo um cenário que dá saudade das aventuras não jogadas.

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  6. Nunca joguei o Stone Prophet, mas já vi gameplays dele. Não sabia que dava pra importar os personagens! Bem inovador pra época. E sim, sempre quis usar as cartas de Tarokka, mas nunca consegui. Talvez eu compre essa nova releitura de Ravenloft + deck pra testar na 5a edição. Verdade, lembrei que havia a repetição de uma das artes e as molduras rosadas eram toscas mesmo...kkkk.

    Abraço e obrigado por ler e comentar.

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